Aos 30, banda Pixies revê trajetória explosiva com box triplo

Álbum de estreia, miniálbum e gravação rara relembram história do grupo, popular entre rock stars

Joey Santiago, Black Francis, David Lovering e Paz Lenchantin, do Pixies, em show no Festival Eurockeennes, em Belfort, na França  - Sebastien Bozon - 4.jul.2017/AFP
Aurélio Araújo
São Paulo

Em março de 1988, a banda americana Pixies lançou "Surfer Rosa", seu disco de estreia. Meses depois, ele seria eleito o álbum do ano por Melody Maker e Sounds, duas das mais importantes revistas de música pop da época.

"Imagine o susto que levamos", diz o baterista Dave Lovering à Folha. "Éramos uma bandinha de Boston e, de repente, viramos o disco do ano."

O sucesso não duraria muito, e o grupo formado por Lovering, o vocalista Black Francis, o guitarrista Joey Santiago e a baixista Kim Deal chegaria ao fim no início dos anos 1990.

A trajetória parece metáfora do som do Pixies: começa calmo, explode e volta a ficar devagar. O quarteto voltaria em 2004, embora só fosse lançar novidades dez anos depois. A única mudança foi no baixo, hoje com Paz Lenchantin.

Essa história é relembrada agora num box triplo, "Come On Pilgrim... It's Surfer Rosa", que celebra os 30 anos do primeiro álbum. Estão inclusos, além de "Surfer Rosa", o miniálbum "Come On Pilgrim", de 1987, e uma raridade, o show "Live from the Fallout Shelter", uma das primeiras gravações da banda, que foi ao ar numa rádio universitária em 1986.

O êxito do Pixies veio na esteira de bandas como Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Yo La Tengo, que acrescentavam guitarras distorcidas a estruturas consagradas do pop, dando origem a um gênero que críticos chamaram de noise pop —um "pop barulhento".

Para Ted Matula, professor de retórica e linguagem da Universidade de San Francisco e autor de artigo sobre o Pixies, a música realmente popular dos anos 1980 era "rock de arena grandioso e burro, como o U2". "Mas ainda havia as gravadoras independentes, e as rádios de universidade levavam o pós-punk a direções muito diferentes e criativas."

"O Pixies não estava sozinho nesse grupo, mas eram ótimos em esculpir um espaço único, estética e socialmente." Para ele, a banda passava a ideia de que não havia mensagem explícita no rock. A opinião encontra eco em Josh Frank, escritor de "Fool the World", que cobre a história do Pixies.

"Para mim, é a banda de rock alternativo mais sem enrolação do mundo", diz Frank. "É a marca d'água do rock artístico acessível. A atração sempre foi a música, não eles."

Talvez por isso o grupo sempre tenha sido extremamente popular entre rock stars. Gente como Bono, David Bowie e Thom Yorke já reverenciou publicamente o Pixies. Mas o admirador mais famoso talvez seja Kurt Cobain, cujas composições foram comparadas ao estilo do grupo de Boston.

Lovering diz desconhecer a popularidade. "Talvez seja porque, embora não sejamos bons músicos, nossas músicas são ótimas. Estamos mais em forma do que a maior parte das bandas de 30 anos", brinca ele, que diz usar as turnês como chance de se exercitar.

Box 'Come on Pilgrim... It's Surfer Rosa'

Pixies. De US$ 26,24 (R$ 105), em CD, a US$ 82,49 (R$ 330), o LP de luxo

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.