Inspirada em poema de Maya Angelou, Sonia Gomes cria com madeira e tecidos

Masp exibe 30 obras inéditas da artista, que diz ser o momento para tratar de questões raciais

João Perassolo
São Paulo

Inspirada no poema “Still I Rise” (em português, ainda me levanto), da poeta, jornalista e ativista americana Maya Angelou, a artista Sonia Gomes criou 30 esculturas abstratas que apresentará no Masp, a partir de 13 de novembro.

A mostra “Ainda Assim Me Levanto”, composta quase totalmente por trabalhos inéditos da artista mineira, ocupará o subsolo do museu e também a Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, no Morumbi. 

São “obras intuitivas”, nas palavras de Sonia, que diz pensar nas suas peças depois que estão prontas. Foram realizadas neste ano, a pedido do diretor artístico do museu, Adriano Pedrosa.

“Sabia que o título da mostra ia suscitar questões. É uma frase muito poética, que serve para qualquer pessoa, porque estamos caindo e levantando o tempo todo diante das dificuldades da vida. Gosto dele pelo momento que estamos vivendo —é a hora de falarmos de questões raciais”, diz a artista.

O ativismo explícito emprestado de Angelou para o nome da exposição aparece de maneira diferente, muito mais sutil, nos trabalhos que estarão na mostra.

​Sonia Gomes costura esculturas de próprio punho a partir de pedaços de panos encontrados em brechós ou recebidos do público, que envia os tecidos até do exterior.

Para os novos trabalhos, teve a ideia de conectar os retalhos a troncos de madeira, elemento novo em sua produção. “É um trabalho muito orgânico, conectado à natureza”, afirma. Ela diz procurar a abstração em suas peças.

Maya Angelou é conhecida por sua luta pela igualdade racial. Aos 17 anos, foi a primeira motorista negra de ônibus em San Francisco, e na década de 1960 viajou pela África, envolvida com movimentos de independência, além de ter convivido com Malcolm X.

“Lido com questões poéticas, não sou ativista, de ir para a rua. O ativismo está no próprio trabalho, que carrega muita identidade negra, porque eu sou negra”, afirma a artista de 70 anos.

Sonia nasceu em Caetanópolis (MG) e formou-se em Direito antes de entrar no mundo das artes, aos 45. Alcançou reconhecimento internacional em 2015, quando foi a única brasileira convidada para a 56ª Bienal de Veneza.

Sonia Gomes: Ainda Assim me Levanto

  • Quando Abertura: 13 de nov. Até 10 de mar. de 2019. Qua. a dom., das 10h às 18h. Ter., das 10h às 20h.
  • Onde Masp - ​avenida Paulista, 1.578
  • Preço R$ 35 (R$ 17 meia). Grátis às terças.


 

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