Descrição de chapéu Crítica

Biquíni Cavadão faz tributo a Herbert Vianna com agradável subversão

Banda faz show de lançamento do álbum 'Ilustre Guerreiro' neste sábado, em São Paulo

Thales de Menezes

LUSTRE GUERREIRO

  • Quando Show de lançamento no sábado (1º), às 21h. Teatro Bradesco, Bourbon Shopping, r. Palestra Itália, 500
  • Onde Distribuição digital ONErpm, em todas as plataformas
  • Preço De R$ 60 a R$ 200 (show)
  • Autor Biquíni Cavadão

Muita gente pode achar estranho o Biquíni Cavadão lançar um álbum só com regravação de canções compostas por Herbert Vianna. Mas "Ilustre Guerreiro", com oito faixas escritas pelo cantor e guitarrista dos Paralamas do Sucesso, é um dos discos mais simpáticos e descompromissados da temporada.

Quem estiver na noite de sábado (1º) no Teatro Bradesco, no show de lançamento para o público paulistano, poderá ouvir as versões inventivas que se equilibram muito bem entre o respeito ao estilo do compositor e uma agradável subversão musical.

Na verdade, a ligação de Herbert com a banda carioca é intensa e antiga. Além de tocar guitarra na primeira música do Biquíni, "Tédio", ele ajudou bastante na negociação do grupo para seu contrato inicial com uma gravadora, a Polygram, em 1985.

Integrantes do Biquíni já declararam que cogitavam esse projeto desde 2007. A concretização chega numa nova fase ascendente da banda, depois do bom álbum do ano passado, "As Voltas que o Mundo Dá", primeiro trabalho do grupo produzido por Liminha.

A repetição do produtor em "Ilustre Guerreiro" faz muito sentido, já que Liminha trabalhou com os Paralamas. Na verdade, com quase todos os expoentes do rock nacional mainstream. 

Com Liminha, os Paralamas lançaram o álbum que praticamente sedimentou o padrão sonoro da banda, "Selvagem?" (1986), uma evolução muito peculiar de sua mistura inicial de rock, pop, ska e reggae.

Esse universo musical dos Paralamas transparece nas recriações do Biquíni, formado por Bruno Gouveia (voz), Carlos Coelho (guitarra), Miguel Flores da Cunha (teclados) e Álvaro Birita (bateria). E o grande mérito do quarteto é reformatar as canções de Herbert sem fugir dos limites paralâmicos.

"Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim", que Herbert deu para Ivete Sangalo gravar em 2000, era uma balada romântica derramada, dramática. Aqui, ganha versão rock. Já "Vital e Sua Moto", primeiro single dos Paralamas, era rock com cara de Police em 1983. Com o Biquíni, surge transformado em reggae de raiz.

Outro hit, a balada "Aonde Quer que Eu Vá", também caiu na praia do reggae.

E as subversões seguem por esse caminho, de transpor as músicas de um estilo a outro, de um gênero a outro, mas sem elementos alienígenas ao mundo dos Paralamas.

"Só Pra Te Mostrar", que Herbert gravou com Daniela Mercury em 1992, "O Amor Não Sabe Esperar", hit com Marisa Monte em 1998, e "Cuide Bem do Seu Amor", de 2002, eram mais "tranquilas". Agora, soam aceleradas, como vários outros sons mais roqueiros gravados pelos Paralamas.

Até o grande sucesso "Ska" muda bastante, deixando de ser definido por seu título. O que o Biquíni apresenta é um pop chacoalhado, com guitarras de surf music que passam bem longe da cartilha jamaicana do ska.

Na contramão dessa pegada rápida, "Mensagem de Amor" fica mais cadenciada e valorizada pelo vocal de Bruno. Na verdade, a ótima performance do cantor é talvez o maior trunfo do álbum.

No show deste sábado, o Biquíni Cavadão apresenta vários sucessos de sua carreira acompanhando essas releituras de Herbert Vianna. Deve ser material suficiente para a plateia cantar junto o tempo todo.

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