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Dolce & Gabbana cancela desfile na China após ser acusada de racismo

Campanha com chinesa tentando comer macarrão e supostas mensagens de Stefano detonaram onda de boicote

Campanha publicitária da Dolce & Gabbana com chinesa comendo massa de palitinho
Campanha publicitária da Dolce & Gabbana com chinesa comendo massa com hashis - Reprodução
Pedro Diniz
São Paulo

Intitulado “O Grande Show” pela Dolce & Gabbana, o desfile que a marca italiana faria em Xangai, na China, na tarde desta quarta-feira (21), para cerca de 1.500 pessoas, foi cancelado após a grife italiana ser acusada de racismo e um de seus estilistas, Stefano Gabbana, supostamente ter se referido ao país como uma “máfia ignorante malcheirosa” em conversas privadas.

O imbróglio começou após a marca divulgar em sua conta no Weibo, a rede social mais popular da China, uma campanha publicitária na qual uma garota chinesa tenta comer com hashis —os pauzinhos utilizados pelos asiáticos—, pedaços de canelone, pizza e outras iguarias italianas.

Amplamente criticada no país onde aconteceria o desfile e também nas redes sociais dos convidados, a marca perdeu vários contratos com agências de modelos e celebridades contratadas para o desfile, que ocorreria em um centro de eventos de 18.000 m² e contaria com um show do popstar chinês Karry Wang.

Boa parte da imprensa mundial havia sido chamada para cobrir o desfile e sabe-se que, pelo menos até o dia 8 deste mês, quando a Folha foi procurada pela marca para enviar um correspondente à China, a grife ainda não havia fechado a enorme lista de convidados. 

A situação piorou na terça-feira (20), quando uma usuária do Instagram, Michaela Tranova, divulgou supostas trocas de mensagens com Stefano Gabbana nas quais ele teria comentado a polêmica do boicote dizendo, por exemplo, que “se os chineses se ofenderam com uma garota pegando pizza ou macarrão com pauzinhos significa que esses chineses se sentem inferiores”.

Pouco depois da divulgação do conteúdo das mensagens, a Dolce & Gabbana emitiu um comunicado afirmando que a conta de Stefano teria sido hackeada e a marca está tomando "medidas legais urgentes" junto às autoridades chinesas.

Em comunicado enviado à imprensa nesta tarde, a grife comunicou o cancelamento do desfile e disse que o evento não era “simplesmente um desfile, mas algo que criamos especialmente com amor e paixão pela China”.

A hashtag #boycottdolceegabbana, criada como manifesto de boicote à marca após uma série de polêmicas nos últimos anos, somava 4.706 citações até a publicação deste texto.

Neste ano, o mesmo Stefano Gabbana chamou a cantora Selena Gomez de “feia” em um comentário no Instagram, e Domenico Dolce, em 2015, batizou de “crianças sintéticas” aquelas nascidas por fertilização "in vitro".

À Folha, em entrevista à revista “Serafina” de junho de 2016, Domenico afirmou não se importar com a campanha de boicote e disse que “se quiser boicotar, ok”.

“Você acha que me importo? É impossível as pessoas amarem tudo o que você faz. Isso é democracia. Se alguém ama demais uma coisa, algo está errado, não acha?”, disse à época.

Leia íntegra do comunicado enviado à imprensa pela Dolce & Gabbana:

“Nosso sonho era levar para Xangai um evento tributo dedicado a China que conta a nossa história e visão. Não era simplesmente um desfile, mas algo que criamos especialmente com amor e paixão pela China e por todas as pessoas ao redor do mundo que ama Dolce & Gabbana. O que aconteceu hoje foi muito infeliz não apenas para a gente, mas também para todas as pessoas que trabalharam dia e noite para realizar esse evento. Do fundo dos nossos corações, nós gostaríamos de expressar nossa gratidão aos nossos amigos e convidados. Domenico Dolce e Stefano Gabbana."

Com agências de notícia

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