Descrição de chapéu Crítica

Gael García Bernal nunca esteve tão bem como no longa 'Museu'

Dirigido por Alonso Ruizpalacios, o ator mexicano vive um funcionário tolo e sem noção

SÉRGIO ALPENDRE

Museu

  • Quando Estreia nesta quinta (25).
  • Classificação 12 anos.
  • Elenco Gael Garcia Bernal, Simon Russell Beale, Lynn Gilmartin.
  • Produção México, 2018.
  • Direção Alonso Ruizpalacios.

Gael García Bernal, estrela de metade dos filmes do cinema contemporâneo mexicano, nunca esteve tão bem como em “Museu”.

Revelado em “E Sua Mãe Também”, de Alfonso Cuarón, esse ator miúdo, parece sempre deslocado como galã, e raramente convence em outro tipo. Talvez por isso dê a impressão de que escolhe muito mal seus papéis.

Em “Museu”, seu personagem, Juan, um jovem empregado do Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México, é tolo e sem noção. Chamado por todos de baixinho e, mais importante, filmado mesmo como se fosse um João Ninguém.  

 

De tanto fotografar peças milenares, pré-hispânicas (ou mesoamericanas, como ele sempre corrige) de valor incalculável, acaba tendo a ideia de roubar algumas delas na noite de Natal, quando o museu se prepara para entrar em reforma. Para a ação, convida seu melhor amigo, Benjamin Wilson (Leonardo Ortizgris), jovem infantilizado que cuida do pai enfermo e tem sérios problemas de aceitação.

Ambos moram numa cidade vizinha da capital mexicana, a Ciudad Satélite. Roubar as peças do museu, para eles, equivale à conquista do mundo, e só seria exagero comparar esses dois patetas à dupla Pinky e Cérebro, da famosa animação televisiva, porque aqui teríamos dois Pinkys e nenhum Cérebro.

Após o roubo, que surpreendentemente é bem sucedido, começa a segunda parte do filme: um "road movie" em que os ladrões procuram um improvável comprador para peças tão raras.

Entre o suavemente cômico e o farsesco, “Museu” explora bem os pequenos conflitos familiares de Juan. A vida em sua casa de classe média suburbana é deliciosamente captada por Alonso Ruizpalacios. O diretor acerta no tom, o que é raro em filmes comerciais recentes, e faz com que torçamos o tempo todo por esses desengonçados criminosos.

Fortalecer a empatia com os criminosos é uma operação constante no subgênero de assalto, e aqui é facilitada pela ingenuidade dessa dupla de adoráveis abilolados, e por uma delicadeza rara na construção de seus personagens. 

Graças à sensibilidade de Ruizpalacios, do roteiro engenhoso que escreveu com Manuel Alcalá e de um Bernal inspiradíssimo, “Museu” se revela muito mais interessante do que se esperava. 

O filme ganhou o Urso de Prata de melhor roteiro no Festival de Berlim 2018. Poucas premiações recentes foram tão justas como essa.

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