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João Carlos Marinho, autor de 'O Gênio do Crime', morre aos 83 anos, em São Paulo

Escritor foi reconhecido como marco da renovação da literatura infantojuvenil no Brasil

São Paulo

Morreu na noite deste domingo (17) um dos escritores mais lidos por quem foi criança no último meio século: João Carlos Marinho. 

Aos 83 anos, o autor de “O Gênio do Crime” estava internado desde fevereiro no hospital Sancta Maggiore da Mooca, na zona leste de São Paulo, para tratar de uma infecção.

“Ele era fabuloso. Trouxe algo completamente novo para a literatura infantojuvenil brasileira. ‘O Gênio do Crime’ tem um humor fresco, piadas que chegam ao nível de Mark Twain”, diz Pedro Bandeira.

Publicado em 1969, “O Gênio do Crime” fez 50 anos em fevereiro deste ano e inaugurou a as aventuras da Turma do Gordo, grupo de personagens adolescentes que protagonizaram 13 histórias.

O escritor João Carlos Marinho em retrato em 1981, em São Paulo
O escritor João Carlos Marinho em retrato em 1981, em São Paulo - Bel Pedrosa - 6.ago.1981/Folhapress

Na primeira aventura, os garotos ajudam o dono de uma fábrica de figurinhas a descobrir quem é o criminoso que falsifica cromos raros, o que acaba colocando o negócio do empresário e o hobbie dos personagens em risco.

Com 60 edições e 14 reimpressões, “O Gênio do Crime” vendeu cerca de 1,2 milhão de exemplares, segundo os cálculos do escritor. Hoje é um dos cinco títulos mais vendidos da Global, que publica a obra infantojuvenil de Marinho.

A história foi traduzida para o espanhol e teve uma adaptação para o cinema em 1973, chamada “O Detetive Bolacha Contra o Gênio do Crime”.

“Ele acompanhava todo o processo de edição. Não tinha pudor em negar ou pedir para mudar qualquer ilustração”, lembra Mauricio Negro, que ilustra os livros do escritor desde o início dos anos 1990.

Sempre que tinham um projeto novo, os dois se reuniam no restaurante Vinheria Percussi, no bairro de Pinheiros, onde Marinho tinha uma mesa cativa, na qual sempre se sentava. “Todo mundo sabia que era a mesa do João. Antes de falar sobre literatura, conversávamos muito de futebol. Ele, corintiano roxo; eu, são-paulino”, conta Negro.

Para o ilustrador, o sucesso de Marinho vem do seu pioneirismo em escrever para o público infantojuvenil de forma direta, sem tratar o leitor como alguém em formação. 

“Ele também desloca a força dos livros para a turma, o que é inovador. Entende que o leitor ainda está formando a sua individualidade, em uma fase em que ele se apoia no grupinho”, completa Bandeira. 

Nascido no Rio de Janeiro, em 1935, Marinho logo se mudou com a família para Santos e, depois, para São Paulo.

Estudou direito na Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, e passou a advogar na cidade de Guarulhos (SP), onde viveu até 1987, quando voltou a morar na capital.

Foi ainda trabalhando no mundo jurídico que publicou “O Gênio do Crime”. Depois vieram outras histórias da mesma turma, como “O Caneco de Prata” (1971), “Sangue Fresco” (1982; vencedor do Jabuti), “Berenice Detetive” (1987) e “O Fantasma da Alameda Santos” (2015), o último da Turma do Gordo.

Além das aventuras do grupinho, também publicou para o público adulto os títulos de contos “Pai Mental e Outras Histórias” (1983) e “O Dueto dos Gatos” (2012), os romances “Professor Albuquerque e a Vida Eterna” (1973) e “Pedro Soldador” (1976), o livro de poemas “Anjo de Camisola” (1988), além do ensaio “Conversando de Monteiro Lobato” (1978).

O corpo de Marinho foi velado no cemitério do Araçá e enterrado no cemitério da Consolação, ambos na região central de São Paulo. O escritor deixa três filhos e milhões de leitores. 

Os personagens 

Gordo (ou Bolachão)
Dá nome à turma, mas nem sempre é o nome principal das aventuras. Espécie de anti-herói, é guloso e tranquilão.

Edmundo
Um dos mais inteligentes e corajosos. Por isso, é visto como o protagonista de ‘O Gênio do Crime’

Pituca
Nunca para de fazer piadas e faz as vezes de palhaço da turma. 

Berenice
Mais nova, aparece durante a história de ‘O Gênio do Crime’. Vira a namorada do Gordo.

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