Roubada em 1999, obra de Picasso é devolvida em saco de lixo em Amsterdã

A pintura 'Buste de Femme' foi deixada na casa de um detetive de arte holandês

Amsterdã | Reuters

Um detetive de arte holandês afirma ter ajudado a recuperar uma pintura de Pablo Picasso desaparecida desde 1999, quando foi roubada de um iate pertencente ao empresário saudita Abdulmohsen Abdulmalik Al al-Sheikh na Riviera Francesa.

Em entrevista à rede de televisão holandesa RTL, o detetive, Arthur Brand —que, apelidado de "Indiana Jones do mundo arte", já recuperou obras de Salvador Dalí—, disse que recebeu, de forma confidencial, a pintura "Buste de Femme" (busto de mulher), retrato da também artista e então amante de Picasso Dora Maar.

O detetive holandês Arthur Brand posa com a pintura "Buste de Femme (Dora Maar)" em sua casa, em Amsterdã, nos Países Baixos
O detetive holandês Arthur Brand posa com a pintura "Buste de Femme (Dora Maar)" em sua casa, em Amsterdã, nos Países Baixos - AFP

"Temia que fosse falso, mas quando o segurei em mãos, tive certeza de que se tratava da obra original", afirmou.

Após receber a pintura em casa, embalada em um lençol e um saco de lixo preto, Brand contou que entrou em contato com a polícia e entregou o trabalho para a seguradora, para que retorne, se possível, ao seu dono original.

"Pendurei o quadro na minha casa por uma noite", confessou. A pintura é avaliada em € 25 milhões (aproximadamente R$ 111 milhões).

Ainda durante a entrevista, Brand disse que a primeira vez que ouvira falar do quadro foi nos Países Baixos, em 2015. Ele estima que a obra já tenha trocado de mãos ao menos 20 vezes, usada como uma espécie de garantia em negócios relacionados a drogas e armas do submundo de Amsterdã.

Ele disse que o último dono foi um agente imobiliário, que queria se livrar da obra quando percebeu que era roubada. Foi quando, afirma Brand, dois homens o contataram e combinaram a entrega em sua casa.

A polícia holandesa disse à mídia local que eles não entrariam com outras ações, uma vez que a pintura tinha sido retornada e que o prazo de prescrição para o roubo, de 1999, já expirou.

O dono original, Abdulmohsen Abdulmalik Al al-Sheikh, não foi localizado pela reportagem.

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