SXSW mostra força do podcast e novo horizonte para o audiovisual

Tecnologia da realidade virtual avança na feira de cultura e tecnologia do Texas

Gavin Barnes, da Exoskeleton Technologies,mostra protótipo de exoesqueleto durante o SXSW, em Austin (Texas)
Gavin Barnes, da Exoskeleton Technologies,mostra protótipo de exoesqueleto durante o SXSW, em Austin (Texas) - Suzanne Cordeiro/ AFP
Tadeu Jungle
Austin (Texas)

Para abrir o festival SXSW não foi escolhido um expert em futuro ou um grande orador pop, mas uma pesquisadora e escritora especialista em empatia, coragem, vergonha e vulnerabilidade. Fez um enorme sucesso: Brené Brown.

A partir daí, o que pude constatar é que existe uma procura generalizada por trazer o ser humano para o centro das atenções das novas tecnologias e descobertas. Humanizar o mundo talvez tenha sido o grande mote deste ano.

 

Sendo um festival de novas tecnologias, música, filmes e com pelo menos 30 palestras e atividades propostas no mesmo horário, fica impossível cobrir o festival, restando a oportunidade de descobrir o seu festival.

O meu foi feito de espanto por dois segmentos de comunicação que já existem, mas que terão seu impacto alterado muito em breve e pela constatação de que a realidade virtual fica mais bonita.

O primeiro espanto vem com a força do podcast, que é uma peça em áudio sob demanda. É filho do rádio, mas foi criado pela internet.

Existem podcasts de ficção (drama, crime, comédia), documentais (alimentação, viagem, denúncia etc.), para crianças e muitos de cunho jornalístico, com um âncora que entrevista pessoas dentro do seu tema, que pode ser música, literatura, atualidade, enfim. Essas peças de saber e entretenimento estão à disposição de todos e podem ser baixadas pela internet para serem ouvidos a qualquer hora.

Matt Lieber, diretor da Gimlet Media, sintetiza que o ouvinte quer três coisas: que alguém lhe conte uma boa história, que lhe conte algum fato novo ou que lhe faça companhia. Ele enfatiza essa última.

O Spotify comprou a Gimlet e todos os seus shows em podcasts. A chefe de comunicações da Spotify, Dawn Ostroff, disse que o negócio de podcast está crescendo 25% ao ano e que ela entende que esse segmento, de US$ 650 milhões em 2020, vai chegar rápido aos bilhões.

É o áudio que volta a reinar! No meio de tantos bots e datas e drones, o velho áudio volta a reinar e notem que ele já está na nossa sala de estar com Siri, Alexa e Google Home!

O verbo vai tomar conta das nossas orelhas competindo com a música que sempre foi o objeto principal dos nossos fones de ouvido.

Hoje percebemos que temos muito tempo livre para ouvir coisas: no ônibus, no carro, nas filas ou nos exercitando, e, assim sendo, por que não aprender coisas novas ou mergulhar numa boa história? Sinto que as pessoas querem usar suas horas vagas além do entretenimento superficial. E ouvir não pede para que sejamos interativos! Teclar e interagir nos cansa tremendamente, certo?

A outra coisa que me pegou vem do audiovisual tradicional.

É o projeto Quibi, que já arrecadou US$ 1 bilhão e já está em fase de produção. Quibi será um app que disponibilizará filmes curtos e tem como tela principal os smartphones. Segundo o seu fundador, Jeffrey Katzenberg, Quibi trará o melhor de Hollywood e do vale do Silício.

É uma imensa sacada! É uma produtora de conteúdos que vai fugir da avalanche de vídeos que é o YouTube e vai produzir seriados de ficção, programas jornalísticos e de educação para as pessoas vejam em brechas do seu dia. Como os podcasts, só que com imagem.

Seria uma mini Netflix? Um Spotify de filmes? Ambos! E focado no celular, que é a tela que mais cresce no mundo. Imaginem agora com a chegada do 5G!

Jovens de 25 a 34 anos consomem 5 horas na internet por dia, sendo que 70 minutos só em vídeos curtos. Agora vai chegar uma produtora e distribuidora de conteúdos de qualidade para suprir essa demanda. Eu aposto nela.

Quanto à realidade virtual, assisti a vários filmes de ficção (interativa, dançante ou não) e também a documentários de impacto social. A técnica evolui a olhos e ouvidos vistos. Procurem por Gloomy Eyes VR, Running VR da Intel os VR For Good da Oculus.

Muitas pessoas novatas na área me confessaram o sentimento de espanto com a beleza, e uma delas me narrou a experiência imersiva como um segredo delas a partir daquele momento. Sim! Essa é uma boa sacada. A experiência é de você vivendo algo e não assistindo a algo. Daí a ideia de segredo...

As pessoas estão começando perceber que tem poder frente ao mundo disruptivo das comunicações e que pode focar seu desejo em si próprias, e não na tecnologia pela tecnologia-ostentação.

Queremos comida, diversão e arte, sim, mas também, educação, cultura e entretenimento de qualidade, e com a tecnologia nos trazendo isso a qualquer tempo e em qualquer parte.

Tadeu Jungle é videoartista, roteirista e diretor de episódio da série "Amor em Quatro Atos"

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