Mais baratas, obras de artistas estreantes têm boa performance na SP-Arte

A 15ª edição da feira termina com vendas, mas não emplaca os trabalhos mais caros

Clara Balbi
São Paulo

Apesar da chuva na tarde de sábado (6), que alagou parte do andar térreo do pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, por cerca de uma hora, a SP-Arte conclui a sua 25ª edição como começou: com vendas, mas não dos trabalhos mais caros.

Curiosamente, algumas das galerias mais satisfeitas no domingo (7), último dia da feira, eram justamente as mais atingidas pelos efeitos do temporal. Emergentes em sua maioria, elas representam artistas estreantes, cujos trabalhos não ultrapassam as dezenas de milhares de reais.

É o caso de Andrea Rehder, da galeria de mesmo nome. Com a invasão da chuva no térreo do prédio (consequência do entupimento de um bueiro no parque, segundo a organização), seu estande teve uma instalação danificada e uma escultura derrubada por um faxineiro —ambas com seguro.

Sem registrar vendas na galeria desde março, Rehder tomou um empréstimo para participar da feira. O investimento valeu a pena. Ela vendeu cerca de dez trabalhos nos quatro dias do evento.

 
A Periscópio Arte Contemporânea, que teve que retirar às pressas um quadro de Randolpho Lamonier do chão na hora da chuva, também diz ter se saído bem. Muitos se empolgaram com as versões menores dos bordados de Lamonier, que saíam a R$ 5.000.

A estratégia de trazer trabalhos mais acessíveis foi particularmente exitosa na Movimento. A galeria carioca comercializou cerca de 30 poemas visuais de Xico Chaves. Formados por três pedras portuguesas pintadas com as sílabas “vo”, “cê” e “eu”, os trabalhos custavam R$ 900.

Nos estandes de galerias mais estabelecidas, no entanto, os colecionadores pareciam mais reticentes, apesar da quantidade razoável de obras comercializadas.

Muitas negociações, afirmavam os galeristas, iriam continuar para além da feira —perdendo a janela de isenção do ICMS que costuma turbinar as vendas durante o período.

O cenário se repetia na ala das galerias do setor secundário, que lida com trabalhos provenientes de outras coleções, nomes de peso e valores que ultrapassam R$ 1 milhão.

De acordo com Antonio Almeida, sócio da Almeida & Dale, os próprios preços dificultam a comercialização de obras durante o evento. “Muitos preferem comprar fora da feira exatamente para não gerar buchicho”, diz.

Com cinco obras vendidas, uma delas um esboço do “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, cujo valor não quis revelar, ele negocia um painel de 5 m de extensão de Di Cavalcanti, avaliado em R$ 20 milhões.

Outra galeria grande foi prejudicada pela chuva, que causou o vazamento de água de um duto de ar-condicionado. No segundo piso, a britânica Lisson, uma das mais poderosas do mundo, removeu às pressas trabalhos do estande no sábado. No domingo, obras de gigantes da arte contemporânea como o britânico Richard Long tinham deixado as paredes do espaço.

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