Descrição de chapéu Televisão

Nova temporada de 'Samantha!' traz atriz decadente que quer ser séria

Série da Netflix reforça onda de nostalgia dos anos 1990 que atinge streaming e TV

Tony Goes
São Paulo

Uma estrela mirim da década de 1980 quer retomar a carreira, depois de alguns anos de glória e décadas no ostracismo. A premissa é tão boa que gerou dois produtos. Um deles é “Verão 90”, atual ocupante da faixa das 19h da Globo; o outro, a sitcom “Samantha!”, cuja segunda temporada estreou nesta sexta (19) na Netflix.

Mas a primeira safra de “Samantha!” chegou antes da novela, em julho de 2018. Quando “Verão 90” entrou no ar, em janeiro passado, a página da série no Facebook alfinetou a rival com uma postagem, avisando que “Samantha!” (sempre com ponto de exclamação) “está lisonjeada e agradece a homenagem recebida na novela das 7!”.

É bobagem discutir quem copiou quem. Os dois programas fazem parte do “revival” dos anos 1980 e 1990 que invadiu a cultura pop.

“Verão 90” já se afastou da nostalgia, mas “Samantha!” ainda investe no filão. “A personagem nunca saiu daquela época. Até a casa dela é decorada como há 40 anos”, diz sua intérprete, Emanuelle Araújo.
“Mas, na nova temporada, ela quer ser reconhecida como uma artista séria, de tê-atro”, ri a atriz baiana, carregando no sotaque paulistano (em Salvador se fala “tchátro”).

O curioso é que Araújo também foi atriz mirim. “Comecei a atuar aos dez anos de idade, mas nunca apresentei programa infantil”, conta ela, que foi contratada da Globo por dez anos e já está de volta à emissora, na novela “Órfãos da Terra”.

Samantha tem algo de Simony, a ex-integrante do grupo Balão Mágico que, adulta, se casou com o rapper Afro-X enquanto ele estava preso. Dodói (Douglas Silva), o marido de Samantha, é ex-presidiário.

“Não me baseei na Simony”, afirma Araújo. “Fui me inspirar nas apresentadoras que marcaram minha infância: a Geisa, da versão baiana do ‘Clube do Mickey’, e a tia Arilma, do ‘Parquinho’, outra atração regional. Elas eram tão politicamente incorretas quanto a Samantha”.

Douglas Silva também começou cedo no teatro, com apenas oito anos, mas o sucesso veio logo. Aos 12, já tinha dois personagens icônicos: Dadinho, de “Cidade de Deus” (2002), e Acerola, de “Cidade dos Homens”, a série derivada do longa, que teve seis temporadas na Globo.

Depois desses papéis dramáticos, é divertido vê-lo atuar com desenvoltura em uma comédia. “Eu tive uma ótima escola. Passei três anos na ‘Turma do Didi’, com Renato Aragão”, lembra ele.

Comédia não é novidade para Zezeh Barbosa, recém-chegada à série; entre trabalhos recentes, ela tem “A Vila” (Multishow) e “Pé na Cova” (Globo).

Em “Samantha!” ela faz Socorro, a mãe de Dodói, que reaparece depois de muitos anos. “A Socorro não vem socorrer ninguém. Ela vem atrapalhar”, diz Barbosa.

Tanto Zezeh quanto Douglas dizem que a Netflix tem oferecido papéis a atores negros com muito mais frequência do que os canais brasileiros. “Mas, de maneira geral, a situação está melhorando. Aos poucos, mas está”, diz ela.

De fato, Barbosa também já está de volta à Globo. Ironicamente, na novela “Verão 90”.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.