Descrição de chapéu Artes Cênicas

Corpo de Antunes Filho é velado sobre o palco do teatro

Artistas e personalidades comparecem à despedida do diretor, que morreu nesta quinta

Clara Balbi Gustavo Fioratti
São Paulo

Com início às 7h da manhã desta sexta-feira (3) para amigos próximos e abertura às 8h30 para o público, o velório de Antunes Filho reunia pouco mais de cem pessoas por volta das 11h.

O diretor, um dos principais nomes do teatro brasileiro, morreu nesta quinta-feira (2). A cerimônia de despedida ocorre no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, onde ele comandava o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) desde os anos 1980.

 

Artistas começaram a chegar cedo ao local, entre eles os atores Cacá Carvalho, Irene Ravache, Denise Stoklos, Laura Cardoso e Giulia Gam. O vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) era um dos que velavam o corpo do diretor, ainda nas primeiras horas da cerimônia. O caixão, posicionado no centro do palco, estava cercado por seis coroas de flores —o número subiu para dez por volta das 12h.

Suplicy afirmou que se lembra de frequentar as peças de Antunes Filho desde os anos 1960, quando fazia parte da escola de administração da FGV (Fundação Getulio Vargas) e costumava levar aos espetáculos alunos, professores e funcionários.

“O teatro foi um lugar de formação para mim, cultural, humana e política”, disse.

Pela tarde, a atriz  Giulia Gam, que iniciou a carreira no CPT com uma montagem de Romeu e Julieta dirigida por Antunes, também prestou homenagem ao mestre.

“Ele foi a base da minha formação. Eu fui moldada por ele. Ele cercava seus alunos de cultura, nos levava a museus, dava pilha de livros para que lêssemos”, afirmou. “O que chamava atenção nele era o rigor religioso no teatro e no trabalho do ator. Ele ia até o fundo, queria mais e obsessivamente ensaiava até chegar em um lugar que só ele sabia. Ele é a história do nosso teatro. É difícil imaginar São Paulo, o Teatro Anchieta, o Sesc sem o Antunes”.

O ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira foi outro que compareceu ao velório. Ele afirma ter conhecido Antunes Filho no início dos anos 1960, em sua estreia no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia).

Entre 1966 e 1975, atuou em quatro encenações do diretor, duas das quais lhe renderam prêmios de melhor ator. "Eles não pertencem a mim, mas ao Antunes Filho, que arrancava de nós o que era melhor para o personagem", afirmou.

"Tenho certeza absoluta de que a essa hora ele já está montando uma peça lá em cima, junto com o Flávio Rangel [diretor, morto em 1988] e o Paulo Autran [ator, morto em 2007]", disse.

Segundo Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, o teatro da unidade Vila Mariana passará a se chamar “Teatro Antunes Filho”. Ele também afirma que avaliará como exibir ao público o acervo do CPT que o Sesc reúne desde sua criação e que inclui diversos livros e figurinos de peças.

“Era um artista e um mestre, que formou várias gerações de atores e que tem trabalhos de muita qualidade”, disse o ator Celso Frateschi, que compareceu ao velório pela tarde.

"O Antunes era um grande conversador  e interessado no encontro de gerações. Seu teatro era como seu Macunaíma. Tinha algo do Brasil popular e experimental do modernismo e algo do esteticismo internacionalizante pós-moderno. Ele foi um grande artista porque fez de um jeito pessoal e único, com que sua segunda atitude se modelasse na primeira", disse o diretor Sérgio de Carvalho. 

Por volta das 14h30, com as 280 cadeiras do teatro ocupadas e grande circulação sobre o palco, os artistas presentes iniciaram uma espécie de celebração, com orações, cantos e declamação de poesias. Frases de Antunes Filho, que era rigoroso como diretor e conhecido pelos confrontos e as broncas que dava em seus atores, foram lembradas.

Uma atriz lembrou que, durante um teste, ele disse a ela, "está uma merda, mas vou te dar uma oportunidade". Suzan Damasceno, que foi aluna do Centro de Pesquisa Teatral, a escola dirigida por Antunes, e também integrou diversos elencos nos espetáculos dirigidos por ele, disse "nunca conheci um artista tão coerente como o Antunes.

Durante a celebração, houve duas longas salvas de palmas, que duraram cinco e três minutos respectivamente. O Corpo de Antunes será levado para o crematório da Vila Alpina.

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