Uruguaio Jorge Drexler chega ao Brasil no fim do mês para turnê de voz e violão

Série de shows passa por São Paulo, Porto Alegre e outras cidades

Tássia Kastner
São Paulo

“A canção é uma ferramenta, como uma planta que cresce melhor no asfalto. Ela precisa se defender muito bem das situações mais difíceis. É um ótimo momento para se escrever canções no Brasil.” É assim que o músico uruguaio Jorge Drexler tenta resumir a situação do país.

Ele chega no fim de maio para a turnê Silente, só com voz e violão, e passa por Porto Alegre, Pelotas, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

“Estão acontecendo coisas que eram impensáveis. Desde a época da ditadura não se escutava ninguém falar [favoravelmente] ao regime militar. Como se pode esquecer aquilo em tão pouco tempo?”, pergunta.

Com 54 anos, o músico viveu parte da juventude em um Uruguai também comandado por uma ditadura, que por lá se estendeu de 1973 a 1985. Conta que sua família chegou a ficar um ano fora do país, fugindo do regime. Há mais de 20 anos, mora em Madri.

Longe de compor músicas que poderiam ser enquadradas como politicamente engajadas, costuma se posicionar sobre questões sociais, principalmente a migração. No ano passado, criticou a promessa de Donald Trump de construir um muro que divide México e Estados Unidos. Condenou ainda os países europeus que tentam fechar suas fronteiras a imigrantes muçulmanos e costuma dedicar canções aos venezuelanos refugiados.

Apesar de tudo, Drexler mantém um discurso otimista. “Estamos caminhando para sociedades mais tolerantes e abertas. Isso produz medo e esse medo leva a pequenos passos atrás. O Brasil está dando alguns passos atrás.”

Questionado sobre o plano de gravar um disco no Brasil —os dois anteriores foram gravados respectivamente no México e na Colômbia—, ele desconversa. “É um lugar muito importante para mim. Mas isso depende das músicas.”

Ele conta que não escreve o tempo todo. “Se estou em turnê, saio para conhecer lugares e pessoas. Escrevo apenas versos como algo lúdico, como um jogo.”

Mas, para mostrar a conexão com o país, lista a série de parcerias com músicos brasileiros, algo que vem de longa data. O rol passa por Caetano Veloso, Milton Nascimento e Carlinhos Brown. Inclui ainda Vitor Ramil e Ney Matogrosso.

Faltam, porém, Chico Buarque e João Gilberto, diz. Por que não convida os ídolos então? “Uma vez joguei futebol com o Chico”, afirma. “Não conheço ninguém que escreva como ele. É popular e ao mesmo tempo complexo.”

A turnê Silente tem, porém, algo de João Gilberto. São duas horas em que Drexler fica a sós com seu violão sobre o palco, sem músicos de apoio, sem projetores, sem gelo seco e sem iluminação automática.

Existem distintos cenários para o palco, desenvolvidos pelo argentino Maxi Gilbert. No repertório, as músicas devem soar mais parecidas com a versão original,ou seja, “como nasceram no violão antes de serem transformadas nos discos”, define.

Depois da entrevista, Drexler decide que precisa fazer um complemento e manda um áudio de WhatsApp. Queria dizer obrigado aos fãs que compraram ingressos com meses de antecedência. “Não quero deixar de agradecer, especialmente nesses momentos em que pegar dinheiro e comprar um ingresso é um ato de valentia e de amor.”

Jorge Drexler em SP

  • Quando 6 e 7/6
  • Onde Teatro Bradesco, r. Palestra Itália, 500
  • Preço R$ 80 a R$ 280, no site uhuu.com

Jorge Drexler em Porto Alegre

  • Quando 31/5
  • Onde Teatro Sesi
  • Preço R$ 60 a R$ 240, no site eventim.com.br. O cantor se apresenta também em outras cidades
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