Aclamado pela crítica, líder do segundo século do jazz faz show no parque Ibirapuera

Famoso por looks extravagante, o americano Christian Scott se apresenta em festival em SP

Thales de Menezes
São Paulo

Caras novas no jazz estarão em São Paulo nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no primeiro Mastercard Jazz. A atração que melhor personifica essa vocação de vanguarda do festival é o trompetista americano Christian Scott aTunde Adjuah.

Nascido em Nova Orleans há 36 anos, o músico deve mostrar no parque Ibirapuera muita coisa do repertório de seu recente e 12º álbum de estúdio, o elogiado “Ancestral Recall”. Se em seus discos anteriores ele reuniu nomes de uma cena jovem do jazz, neste gravou quase tudo sozinho. Tirou espaço de seu trompete para ampliar a presença de uma percussão eletrizante.

Christian Scott mistura metais com o resgate rítmico da música afro. “A maior parte do show deve vir de ‘Ancestral Recall’. Acho que eu e meus músicos estamos bem perto de repetir a sonoridade do álbum ao vivo. A plateia em São Paulo será a primeira a ouvir algo próximo ao que está na gravação”, diz.

Às vezes, ele credita a si mesmo nos álbuns como “arquiteto sonoro”. “A música é algo a ser construído. Quando você grava, quando você faz a mixagem, trabalha com um engenheiro de som, enfim, todas as etapas exigem habilidades variadas e tudo contribui para dar personalidade à música. Tudo isso junto é o que gosto de chamar de arquitetura do som. Técnica e sentimento correm juntos.”

Aclamado como virtuoso em trompete, flugelhorn e trombone, seu visual é marcante. Usa roupas chamadas de “futuristas”, grossas correntes de ouro e cortes de cabelo singulares. Ao responder sobre a razão de se mostrar assim nos shows, ele dá boas risadas.

“Não crio uma persona no palco. Esse é o jeito como me visto todos os dias. Sério! Escolho o que quero vestir. Claro que se vou pegar um avião não uso tantas correntes douradas, mas essas roupas são confortáveis para mim.”

No palco, o visual ganha um elemento ainda mais inusitado —o formato dos instrumentos. Seus trompetes e outros metais exibem curvas inéditas e partes que parecem entortadas. Ele ri quando perguntam se ele entortou os instrumentos com golpes de martelo.

“Eles nasceram da busca de um som diferente. As curvas de um saxofone foram inspiração para algumas mudanças. Eu trabalhei com gente que constrói instrumentos, experimentando novos desenhos para os trompetes, e os resultados sonoros mais agradáveis foram se consolidando nessas formas. Produzem sons mais expressivos do que os que conseguíamos com os trompetes que já existiam.”

Christian Scott não aceita de forma alguma quando tentam incluir seu trabalho numa onda crossover, ao lado de amigos como o pianista Robert Glasper e o saxofonista Kamasi Washington.

“Eu realmente não entendo a comparação. Robert e eu somos contemporâneos, já trabalhamos juntos. Mas quem procurar mais do que algumas afinidades não vai encontrar nada. As pessoas têm dificuldade para classificar sons que ainda não entendem totalmente, então tentam pôr os diferentes debaixo de um mesmo rótulo. Crossover? Para mim, essa terminologia não faz sentido algum.”

Em 2017, o músico lançou três álbuns que celebraram os primeiros cem anos do jazz, uma releitura pessoal. Agora, parte da imprensa americana gosta de definir Chistian Scott aTunde Adjuah como “um dos criadores do segundo século do jazz”.

Ele ri. “No mínimo eu posso dizer que ainda é muito cedo para dizer coisas 
desse tipo, não? Há muita música para ser feita antes de uma conclusão pretensiosa como essa. Não penso nisso. Há vários artistas jovens com muita contribuição para dar, artistas de jazz, pop e hip-hop.”

A programação dos dois dias do Mastercard Jazz começa às 17h30. No dia 31, vão se apresentar, pela ordem, o pianista Aaron Parks, o compositor e guitarrista brasileiro Lourenço Rebetez, com participação da cantora Xênia França, Christian Scott aTunde Adjuah e o multi-instrumentista e rapper Terrace Martin.
No domingo, 1º de setembro, a banda paulistana Bixiga 70 abre o palco, seguida da britânica Laura Jurd, com seu grupo Dinosaur, e a americana Lakecia Benjamin & Soul Squad. O festival será encerrado pelo guitarrista americano de funk e soul Robert Randolph.

Mastercard Jazz

  • Quando Sábado (31/8) e domingo (1º/9), a partir das 17h30
  • Onde Auditório do Ibirapuera, com palco voltado para área externa
  • Preço Grátis

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