Descrição de chapéu Artes Cênicas

Com dança pós-apocalíptica, São Paulo Companhia de Dança abre temporada

Espetáculos são inspirados em explosões, baladas futuristas e clima de fim do mundo

Iara Biderman
São Paulo

Com uma dança pós-apocalíptica, a São Paulo Companhia de Dança abre a segunda temporada de 2019, no Teatro Sérgio Cardoso.

“Vai”, de Shamel Pitts, estreia desta quinta (31), é a visão do coreógrafo americano sobre uma nova forma de viver depois do fim desse mundo como o conhecemos. Um jeito com certo ar dos anos 1970, algo entre a ideia de que o sonho acabou, mas em busca de um pouco de paz e amor.

Ex-bailarino da companhia de dança israelense Batsheva, dirigida por Ohad Naharin, Pitts é uma espécie de embaixador do Gaga, método criado por Naharin.

A consciência do próprio corpo e das pessoas em volta, a exploração da força da gravidade, o prazer do movimento e o poder curativo da dança são algumas das características do método, também acessível a não bailarinos. 

No caso de profissionais, como os da SPCD, a criação da coreografia a partir das sensações internas de cada bailarino forma um coletivo poderoso e orgânico, os corpos inspirando e expirando em uníssono, mas cada um de seu jeito. 

Ao som de um remix de músicas de Ryoji Ikeda, Nina Simone, Metá Metá e Milton Nascimento, entre outros, os bailarinos vão retirando os seus trajes sociais (o figurino foi feito com roupas customizadas no corpo de cada um) até chegarem à sua essência. O pós-apocalipse de Pitts é um Woodstock dançado na Lua, numa balada futurista. 

Ela conversa com as outras obras da temporada. Junto de “Vai”, será apresentado “Odisseia”, da francesa Joelle Bouvier. É uma quase estreia —no Brasil, a obra só esteve em cartaz por dois dias em 2018, na temporada de dança do Teatro Alfa, portanto fora da temporada oficial da SPCD, no Sérgio Cardoso. 

Na viagem de Bouvier, plásticos e bambus se transformam em mares e navios, por meio do qual outros coletivos humanos partem em busca de novos mundos. 

Bastante alusiva à questão dos imigrantes, a obra tem sido muito procurada por programadores estrangeiros. 

Outro sucesso internacional também está na programação da semana, “Ngali…”, do brasileiro Jomar Mesquita.

“Anthem”, do espanhol Goyo Montero, a estreia da próxima semana, é como o momento imediatamente anterior ao fim: o agora. 

“Cada coreografia é uma pergunta para o corpo sobre a humanidade e o nosso tempo, sem necessariamente dar uma resposta”, diz Inês Bogéa, diretora da SPCD, sobre a temporada de 2019, nomeada "Sem Fronteiras". 

As questões de Goyo pairam sobre corpos em conflito com coletivos não tão acolhedores, massas em movimento na luta contra a uniformidade. 

O drama contemporâneo é reforçado pela iluminação, concebida pelo coreógrafo espanhol Nicolas Fichtel. Quase um cenário, há momentos em que a luz desce muito próxima ao chão, praticamente colada aos corpos dos bailarinos, revelando as expressões de seus rostos diante de um mundo prestes a explodir.

Essa mesma explosão ecoa em “Supernova”,  coreografia de Marco Goecke que a companhia paulista reapresenta no programa da segunda semana, assim como  faz com “Melhor Único Dia”, de Henrique Rodovalho. 

Temporada SPCD

  • Quando De quinta (31) a 3/11 - “Ngali...”, “Odisseia” e “Vai”. De 7/11 a 10/11 - “Melhor Único Dia”, “Supernova” e “Anthem”. Qui. a sáb., às 20h; dom., às 17h
  • Onde Teatro Sérgio Cardoso, r. Rui Barbosa, 153, tel. (11) 4003-1212
  • Preço De R$ 40 a R$ 65
  • Classificação Livre

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