Acuado por insurreições país afora, Arthur Bernardes governou com mão pesada

Mineiro de Viçosa é tema do décimo volume da Coleção Folha, que sairá no próximo domingo, dia 17

São Paulo

Era um domingo, 9 de outubro de 1921. O Rio de Janeiro amanheceu, e as edições do jornal Correio da Manhã corriam de mão em mão para satisfazer a grande curiosidade dos leitores.

O motivo de tamanho interesse dos cariocas era a publicação de uma carta atribuída a Arthur Bernardes, governador de Minas Gerais e candidato à Presidência.

Na correspondência publicada pelo jornal, os militares foram chamados de “generais anarquizadores”. Hermes da Fonseca, pré-candidato ao governo, era tratado como “sargentão sem compostura”.

Houve ainda uma outra carta atribuída a Bernardes, publicada logo em seguida. Desta vez, chamavam a atenção ataques duros a Nilo Peçanha, que também concorria ao cargo. Ele aparecia na carta como um “moleque capaz de tudo”.

Presidente Arthur da Silva Bernardes - Reprodução

As correspondências eram falsas e buscavam prejudicar Bernardes. Mas a farsa só veio à tona no final de março de 1922, semanas depois da eleição presidencial.

Ainda assim, Bernardes foi eleito, graças ao apoio efetivo das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Àquela altura, a “política do café com leite ”expunha sinais de decadência, mas restava a ela força suficiente para fazer o presidente.

Bernardes é o tema do décimo volume da Coleção Folha - A República Brasileira. Escrito pelo historiador Pietro Sant’Anna, o livro chega às bancas no próximo domingo, dia 17 de novembro.

Nascido em Viçosa (MG) em 1875, o advogado Arthur da Silva Bernardes ocupou o Palácio do Catete a partir de 15 de novembro de 1922.

Assim como os presidentes que o antecederam, ele ganhou diversos apelidos da população e da imprensa satírica. Uma dessas alcunhas foi “presidente do sítio”.

O Brasil esteve na maior parte dos quatro anos de mandato de Bernardes sob estado de sítio, uma situação em que os direitos se tornam mais restritos e o presidente acumula novos poderes.

Na visão de Bernardes, muito rigor era indispensável para derrotar as insurreições que se alastravam pelo país.

Ao longo da década de 1920, o país acompanhou a consolidação do tenentismo, movimento de jovens oficiais insatisfeitos com a situação política. Em algumas das principais cidades brasileiras, rebeliões militares desafiavam o poder do mandatário mineiro.

“O impopular 12º presidente precisou dobrar a ordem democrática até o limite, conduzindo um dos governos mais autoritários e repressores de toda a Primeira República”, escreve Sant’Anna, autor deste novo volume da coleção.

Em 5 de julho de 1924, em São Paulo, cerca de mil soldados liderados pelo general Isidoro Dias Lopes —indignados com a crise econômica e com ações do governo federal—se mobilizaram para tomar o poder no estado.

O levante tenentista, que passou a ser chamado de Revolução de 1924, recebeu uma duríssima resposta de Bernardes. Aviões das tropas governistas bombardearam bairros paulistanos, como Mooca, Brás e Perdizes. Joaquim Távora, que dá nome a uma rua da Vila Mariana (outro bairro atacado), estava entre os tenentes que morreram nos combates pela cidade.

O presidente também promoveu uma série de intervenções. O Rio de Janeiro, a Bahia e o Rio Grande do Sul foram alguns dos estados afetados.

Em relação aos líderes do tenentismo e aos governadores da oposição, a truculência de Bernardes prevaleceu. Diante das agitações operárias, porém, o presidente demonstrou muito mais tato político.

O livro de autoria de Pietro Sant’Anna destaca, por exemplo, as medidas de combate ao trabalho infantil e a criação da primeira rede de assistência a vítimas de acidentes de trabalho. Houve ainda o decreto que obrigou as empresas a conceder 15 dias de férias remuneradas.

Bernardes também obteve conquistas na economia, como a redução da inflação.

No entanto, esses avanços não foram suficientes para dar novo fôlego à Primeira República. O poder político das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais estava seriamente ameaçado.

Bernardes deixou o Palácio do Catete em novembro de 1926, dando lugar a Washington Luís. Quatro anos depois, o país passaria por uma reviravolta expressiva com a ascensão de Getúlio Vargas. Como gaúcho, o tenentismo, enfim, alcançava o poder.

Com 28 volumes, que acompanham os 130 anos da República, de Deodoro da Fonseca a Jair Bolsonaro, a Coleção Folha é coordenada pelo jornalista Oscar Pilagallo, autor de livros como “História da Imprensa Paulista” (Três Estrelas) e “O Brasil em Sobressalto”(Publifolha).

Como comprar?

Os volumes podem ser comprados pelo telefone, pelo site, em bancas ou em livrarias:
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A cada semana um novo volume chega às bancas. A venda não é restrita aos assinantes da Folha. 

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Cada volume custa R$ 21,90 nos estados de SP, RJ, MG e PR. Para os demais estados, os valores estão disponíveis no site.
Na compra do primeiro volume, o segundo é gratuito.
Para a compra da coleção completa (28 livros), assinantes da Folha ou do UOL pagam R$ 591,30 (nesse caso, 4 livros são gratuitos).
Para os não assinantes, R$ 591,30 (frete gratuito para SP, RJ, MG e PR). Nos demais estados, os valores estão disponíveis no site.
Na compra da coleção completa, é possível parcelar em até 10 vezes no cartão de crédito.
A coleção também é vendida em lotes de 7 livros cada um ou volumes individuais.

Veja todos os títulos

  1. A História da República,  de Oscar Pilagallo
  2. Deodoro da Fonseca,  de Pietro Sant’Anna
  3. Floriano Peixoto, de Pietro Sant’Anna
  4. Prudente de Moraes e Campos Salles, de Márcia Juliana Santos 
  5. Rodrigues Alves,  de Fernando Mello
  6. Afonso Pena e Nilo Peçanha, de Pietro Sant’Anna
  7. Hermes da Fonseca, de Pietro Sant’Anna
  8. Wenceslau Braz e Delfim Moreira,  de Fernando Mello
  9. Epitácio Pessoa, de Fernando Mello
  10. Arthur Bernardes, de Pietro Sant’Anna
  11. Washington Luís, de Pietro Sant’Anna 
  12. Getúlio Vargas e Eurico Dutra, de Lira Neto
  13. Café Filho, de Fábio Koifman
  14. JK, de Pietro Sant’Anna
  15. Jânio Quadros, de Eliane Lobato
  16. João Goulart, de Eliane Lobato 
  17. Castello Branco, de Eliane Lobato 
  18. Costa e Silva e Junta Militar, de Pietro Sant’Anna
  19. Emilio Médici,  de Dirceu F. Ferreira
  20. Ernesto Geisel, de Dirceu F. Ferreira
  21. João Figueiredo, de Pietro Sant’Anna
  22. José Sarney e Tancredo Neves, de Fernando Mello
  23. Fernando Collor, de Fernando Mello
  24. Itamar Franco, de Dirceu F. Ferreira
  25. Fernando H. Cardoso, de Dirceu F. Ferreira 
  26. Luiz Inácio Lula da Silva, de Lucas Ferraz
  27. Dilma Rousseff, de Lucas Ferraz
  28. Michel Temer e Jair Bolsonaro, de Lucas Ferraz

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