Nelson Hoineff, jornalista e cineasta, morre aos 71 anos

Ele ficou conhecido pelo programa Documento Especial, que testou limites do jornalismo

São Paulo

O jornalista e crítico de cinema Nelson Hoineff morreu neste domingo (15) aos 71 anos. Ele ficou conhecido pelo programa Documento Especial, exibido entre 1989 e 1998.

A morte foi confirmada nas redes sociais de Hoineff. Procurada, a família não confirmou a causa. O jornalista enfrentava há tempos problemas de saúde —ele havia passado dois anos internado, tratando uma infecção no pé, mas foi liberado para se recuperar em casa.

O programa Documento Especial testou os limites do jornalismo brasileiro ao ser pioneiro ao usar recursos como câmera escondida, longos planos sem corte e ao retratar pessoas e situações até então muitas vezes ignoradas pela imprensa.

Nelson Hoineff, na pré-estreia de seu documentário "Caro Francis", sobre o jornalista Paulo Francis, em 2010
Nelson Hoineff, na pré-estreia de seu documentário "Caro Francis", sobre o jornalista Paulo Francis, em 2010 - Mastrangelo Reino/Folhapress

Os 430 episódios variam entre temas abstratos e outros polêmicos, como prostituição, grupos neonazistas e a Igreja Pentecostal —neste último, a cobertura foi feita com uma câmera escondida dentro de uma bíblia de madeira.

Entre os episódios mais clássicos estão um sobre a ida à praia de moradores do subúrbio do Rio de Janeiro e outro sobre a seca no Nordeste, no qual acompanha pessoas que precisavam andar 1,5 quilômetro para conseguir água.

Além de jornalista, Hoineff também era crítico de cinema e passou por emissoras como TV Machete, SBT, TV Cultura, Band e GNT. Ele também foi membro do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual.

Ele também assina documentários como Alô Alô Terezinha (2009), sobre o Chacrinha, "Caro Francis" (2010), sobre o jornalista Paulo Francis, e "Cauby - Começaria Tudo Outra Vez" (2013).

Em fevereiro deste ano, aos 70 anos, escreveu um depoimento em uma rede social descrevendo os preparativos para o seu próprio sepultamento. “Foi o embrião para um livro que é meio uma reportagem sobre mim mesmo, uma coisa Tom Wolfe. E tal qual o Documento, não contém uma vírgula de mentira.” 

O velório está marcado para esta segunda (16), às 12h, no Cemitério Comunal Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro.

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