Pabllo Vittar e Gabriel Leone estarão nas primeiras séries nacionais do Amazon Prime Video

Plataforma de streaming anunciou seis projetos originais para 2020, em diferentes fases de produção

São Paulo

A Amazon Prime Video revelou nesta quarta (4), em São Paulo, que irá lançar ao longo de 2020 suas primeiras séries originais produzidas no Brasil. Em um evento que reuniu jornalistas em um hotel na zona sul da cidade, executivos do serviço de streaming da empresa apresentaram seis projetos, em diferentes estágios de produção.

O primeiro a estrear, em 31 de janeiro, será “Tudo ou Nada: Seleção Brasileira”, sobre a participação do escrete nacional na Copa América de 2019. A série documental integra a franquia “All or Nothing” da Prime Video, que acompanha as campanhas de equipes esportivas, e foi produzida pela Pitch International com apoio da produtora brasileira bigBonsai.

Ainda sem data definida, também chega em breve o reality competitivo “Soltos em Floripa”, com oito jovens de várias partes do país dividindo uma mesma casa na capital catarinense. Realizado pela Floresta Produções, o programa também conta com um time de comentaristas encabeçado por Pabllo Vittar.

Presente ao evento, a cantora provocou a plateia, prometendo ousadias ainda maiores do que as de outras atrações do gênero.

dois homens em fundo amarelo
'Dom', série em que Gabriel Leone faz o bandido carioca Pedro Dom, e, em segundo plano, Flavio Tolezani - Divulgação

Esses dois programas já haviam sido anunciados há alguns meses, mas tiveram novos detalhes apresentados. Os outros quatro traziam maiores novidades. O mais vistoso é a série “Dom”, produzida pela Conspiração Filmes e dirigida por Breno Silveira (“Dois Filhos de Francisco”). 

A trama se baseia na história real de Pedro Machado Lomba Neto, conhecido como Pedro Dom – um rapaz de classe média que se tornou um dos criminosos mais conhecidos do Rio de Janeiro. Um time de ex-contratados da Globo encabeça o elenco: Gabriel Leone (“Onde Nascem os Fortes”) encarna o protagonista e Flavio Tolezani (“Verão 90”) interpreta seu pai, um ex-agente da polícia. Isabella Santoni (“Orgulho e Paixão”) faz uma garota ligada ao mundo do funk.

A entrada da Amazon no mercado brasileiro de audiovisual coincide com o momento em que a Globo está deixando de renovar os contratos de longo prazo que mantinha com dezenas de atores famosos. Sem vínculos com a maior emissora do país, muitos deles estão encontrando trabalho nas produções para o streaming.

“Os nossos contratos não exigem exclusividade dos atores, mesmo que eles estejam participando de séries com várias temporadas previstas”, disse à Folha James Farrell, vice-presidente de produções originais internacionais da Amazon. “No modelo atual, eles precisam estar livres para atuar em filmes ou séries de outros canais e plataformas.”

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Reality competitivo 'Soltos em Floripa', que terá comentários de Pabllo Vittar - Divulgação

As outras três séries apresentadas ainda não entraram em produção. A comédia dramática “Setembro”, da produtora O2, contará a história de uma mulher transexual que descobre que teve um filho de um relacionamento com outra mulher, sete anos antes. A equipe de roteiristas, liderada pela argentina Josefina Trotta, inclui a atriz e modelo trans Alice Marcone.

“Lov3”, da produtora Losbragas, acompanhará as aventuras amorosas dos irmãos Ana, Sofia e Beto, que exploram novas formas de relacionamento. E a Prodigo Films ficará a cargo de um projeto ainda sem título sobre o músico Marcelo D2. 

Quase todos os projetos apresentados tratam de assuntos potencialmente controversos, como consumo de drogas ou diversidade sexual. Mas Jennifer Salke, a chefe global da Amazon Studios (a divisão da empresa responsável pela produção de conteúdo audiovisual), garante que não está seguindo uma estratégia semelhante à da HBO de 20 anos atrás, quando o canal pago procurava séries que seriam arriscadas demais para a TV aberta.

“Não buscamos simplesmente chocar, mas ideias originais”, afirmou a executiva. “Queremos ser o lugar onde os criativos se sintam confortáveis. Claro que almejamos o sucesso, mas ninguém vai ser demitido se um programa fracassar”.

Salke também comentou a noção, frequentemente difundida, de que a plataforma Prime Video é só mais uma porta de entrada de consumidores para a Amazon, que engloba dezenas de outras empresas. “Nossa função já foi a de atrair esses clientes, mas não é mais. Nosso streaming cresceu tanto que já é, por si só, uma das principais fontes de renda da companhia.”

São os próprios talentos, segundo ela, que querem expandir seus negócios dentro da Amazon. “Rihanna, por exemplo, produziu conosco o desfile de sua grife”, continuou Salke. “Depois de vê-lo, o espectador pode comprar as peças em nossa loja virtual.”

A chegada da Amazon, que não usa dinheiro público em suas produções, também significa um alívio para as produtoras brasileiras, atualmente ameaçadas pelas restrições impostas pelo novo governo. “O mercado se fechou por um lado, mas se abriu por outro”, diz Elisabetta Zenatti, da Floresta Produções. Estamos começando a trabalhar muito por causa do streaming.”

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