Descrição de chapéu

Pabllo Vittar investe no brega moderninho e sensual em '111'

Drag queen antecipou lançamento do disco, mas já tinha divulgado suas melhores faixas no ano passado

111

  • Onde Disponível nas plataformas digitais
  • Autor Pabllo Vittar
  • Gravadora Sony

Vazamentos se tornaram recorrentes na indústria fonográfica. É cada vez mais comum ver, dias antes de lançamentos de álbuns, conteúdo ilegal povoando a internet e pondo um fim à espera dos fãs de grandes artistas.

Foi assim com Lady Gaga, que fingiu que nada havia acontecido quando o primeiro single de seu novo álbum, “Chromatica”, surgiu na internet antes mesmo de ser anunciado, no começo do ano. E recentemente com Dua Lipa, que antecipou a estreia do disco “Future Nostalgia”, vazado na íntegra, também na esperança de espalhar alegria em meio à trágica pandemia de coronavírus.

Outra diva pop, essa brasileiríssima, passou por situação semelhante. Pabllo Vittar viu a segunda parte de “111” chegar à internet antes de seu lançamento oficial, e o antecipou para a noite desta terça-feira.

As primeiras quatro faixas de “111” já haviam sido divulgadas no longínquo mês de outubro do ano passado. “Flash Pose”, “Parabéns”, “Amor de Que” e “Ponte Perra” foram as escolhidas para dar o primeiro gostinho de um álbum que agora está finalmente completo, com nove canções.

Brasileiríssima, aliás, parece ser um adjetivo que se encaixa bem à carreira de Pabllo Vittar. Sem abrir mão das batidas baladeiras e da influência trazida do pop internacional, a drag queen mais uma vez injeta ritmos bem nacionais no seu repertório, embora com menos força e qualidade do que no antecessor “Não Para Não”.

Mas nem por isso Pabllo Vittar deixa de acenar para o mercado internacional —que tem acenado de volta para a artista brasileira, prevista para integrar o line-up do festival californiano Coachella, adiado por causa da Covid-19.

Ela canta em espanhol ao lado de Thalía, na dançante “Tímida”, e sozinha, na gostosa “Salvaje”. Na primeira parte de “111”, também adotou o idioma para a pouco empolgante “Ponte Perra”.

O inglês ficou com “Flash Pose”, uma faixa dançante gravada ao lado de Charli XCX, que escancarou as portas do mercado anglófono com glamour e mostrando a ambiciosa e legítima vontade de Pabllo Vittar de tomar o mundo.

Quem abre “111”, no entanto, é “Parabéns”, que já trilhou carreira de sucesso no Brasil, graças à letra brincalhona e chiclete, que custa para sair da cabeça.

A divertida “Lovezinho” tem Ivete Sangalo fazendo graça com as letras sempre sensuais e com certa carga de deboche de Pabllo Vittar. “Vem fazer um lovezinho com a mamãe, vem”, canta a estrela do axé.

Letras como essa se somam ao “amor de quenga” que Pabllo Vittar tanto repete em “Amor de Que” e mostram que o aspecto brega se tornou inerente ao trabalho da drag queen. Mas não de um jeito negativo —a diva pop modernizou o termo ao se apropriar dele.

O maior exemplo disso é justamente “Amor de Que”, que pode ser facilmente apontada como a melhor gravação da carreira ainda curta, mas já brilhante da cantora. A faixa transpira sensualidade, com sua letra sacana e engraçadinha, incapaz de deixar os ouvintes parados.

Com Jerry Smith, sensação do funk, Pabllo entoa “Clima Quente”, certamente destinada a ser tocada à exaustão em festinhas Brasil afora —desde já, não fosse pelo isolamento provocado pela Covid-19.

“Rajadão” conversa com a militância LGBT da cantora de forma discreta e cifrada, com muitas batidas eletrônicas costurando a voz marcante de Pabllo Vittar. Mas a pegada “fritação” não deve fazer muita gente sair do chão.

O melhor de “111” estava aí faz tempo —os singles “Flash Pose”, “Parabéns” e “Amor de Que” já mostraram, cada um à sua maneira, as diferentes faces de Pabllo Vittar. Agora, essas e as outras seis faixas do disco se amarram e dão à luz uma coletânea original, que só vai ficar restrita ao público LGBT se o mercado mainstream tiver cabeça fechada.​

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