Coronavírus pode impactar 4,9 milhões de pessoas empregadas no setor cultural

Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural ganha plataforma digital, mas dados não refletem impactos da pandemia

São Paulo

Um dos mais completos bancos de dados sobre a economia criativa no país acaba de lançar uma plataforma de consulta inédita, que chegou, porém, ao público com uma função inesperada.

Os últimos dados lançados pelo Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, com informações disponibilizadas por diversas instituições em 2019, poderiam retratar um setor que movimentava mais receitas do que, por exemplo, o comércio de peças automotivas. No fim das contas, acabou dando informações sobre um mercado atingido em cheio pelo impacto da pandemia da Covid-19.

Segundo o levantamento, o setor empregava cerca de 4,9 milhões de pessoas. "A pesquisa se torna ainda mais importante agora, porque podemos saber qual é o potencial de um setor específico e entender o que está sendo posto em risco", diz Leandro Valiati, pesquisador do departamento de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que liderou a realização do projeto.

No retrato, São Paulo aparece como o estado mais pujante dentro deste mercado, com 1,4 milhão de trabalhadores no setor, seguido por Minas Gerais, com 510 mil, e Rio de Janeiro, com 428 mil.

O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural analisou também o número de empresas da economia criativa existentes no país. Em 2017, segundo os últimos dados reunidos, o país contava com 147,3 mil organizações atuando no segmento. As fontes utilizada são diversas –entre elas estão o IBGE, a Secretaria Especial da Cultura e a Ancine, a Agência Nacional de Cinema.

Compõem o mosaico da produção nacional relativa a economia criativa desde empresas da indústria da moda (que eram 59,2 mil naquele ano) até a publicidade e serviços empresariais (15,8 mil), passando por criações no cinema, na música, na fotografia, no rádio e na televisão (12,4 mil empresas). O painel também deu lugar a atividades artesanais e a indústria editorial.

Em 2016, segundo o último dado oficial disponível, o conjunto de empresas dedicadas à economia criativa gerou receita bruta da ordem de R$ 335,7 bilhões e lucro bruto próximo a R$ 200 bilhões para as empresas envolvidas nas atividades do segmento.

O Painel de Dados do Observatório do Itaú Cultural permite investigar também as taxas de surgimento e extinção das empresas do setor criativo. Entre 2016 e 2017, o volume de encerramento de negócios do setor foi de -3%. A taxa negativa significa que mais empresas foram fechadas do que abertas.

Valiati diz que ainda não existe uma avaliação sobre impacto das medidas de prevenção à pandemia da Covid-19 no setor, mas diz que a tendência é de forte queda de empregos e receitas, a exemplo do que houve nos Estados Unidos.

Ele diz que uma das atividades que se preservaram foram os canais de streaming. "Porém boa parte da receita gerada pelo vídeo sob demanda acaba saindo do país", afirma.

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