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Maratona

Em especial interativo, Kimmy Schmidt enfrenta os traumas do passado

Escolhas 'certas' do espectador acabam tendo tom moralista, mas adequado à própria personagem com essência poliana

Carolina Daffara

Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy vs. the Reverend

  • Quando Disponível
  • Onde Netflix
  • Produção EUA, 2020
  • Direção Claire Scanlon
  • Duração 1h20

Um ano após o final da quarta e última temporada de “Unbreakable Kimmy Schmidt”, série de comédia criada por Tina Fey e Robert Carlock, chega à Netflix brasileira um especial interativo chamado “Kimmy vs. the Reverend”.

A série original conta a história de Kimmy Schmidt, papel de Ellie Kemper, uma mulher de 30 anos que passou metade deles num abrigo subterrâneo acreditando que o mundo tinha acabado, mas que, na verdade, tinha sido sequestrada com outras mulheres por um falso reverendo, vivido por John Hamm.

O episódio especial se passa após o final da série. Kimmy é uma autora rica e famosa que dias antes de se casar com um príncipe (Daniel Radcliffe, em ótima participação especial) suspeita que o reverendo ainda esconda alguns segredos e parte numa road trip.

O uso do formato interativo vem sendo usado pela empresa de streaming em programas voltados ao público infantil, como “Minecraft: Story Mode“ ou “O Gato de Botas Preso num Conto Épico”. As opções desse modo para adultos contam com um episódio especial de “Black Mirror” e a série “Você Radical”, feita inteira nesse formato.

Em “Kimmy vs. the Reverend”, o esquema “você decide” está presente no episódio todo. O espectador tem de fazer desde escolhas simples, como qual o vestido que Kimmy deveria usar no casamento, até outras mais decisivas para história.

Mas, diferentemente do programa da Globo, há caminhos que são becos sem saída e o especial põe a audiência de volta para fazer a escolha certa, ou seja, a que vai levar a um futuro na história, quebrando a quarta parede e a reconstruindo (literalmente, em certo ponto).

De qualquer forma, vale a pena testar todas as escolhas, pois elas têm aquele gosto de "Easter egg" –dão informações sobre personagens que não vão ter destaque na história principal, como as outras mulheres toupeira, e detalhes divertidos sobre a história dos protagonistas, inclusive com participações de famosos apenas nesses trechos (a de Josh Groban é imperdível).

As escolhas “certas” acabam por vezes tendo um tom um pouco moralista, mas muito adequado à própria Kimmy, que manteve sua essência poliana mesmo vivendo num mundo realisticamente cínico e cruel.

O episódio mantém o ritmo da série –piadas muito rápidas a todo instante, fazendo humor com assuntos tabu, dando cutucadas o tempo todo na própria indústria televisiva, tratando pautas como machismo e racismo com sarcasmo e trazendo várias participações especiais inesperadas, como basicamente tudo que tem o dedo de Tina Fey.

Um clima de encerramento permeia o episódio —não da série em si, que já tinha tido um final bem simpático—, mas da relação da personagem principal com seu passado tenebroso.

Se nas quatro temporadas Kimmy luta pra esquecer tudo pelo que passou e se reerguer, redescobrindo quem ela é e se adaptando a uma vida nova, nesse episódio, com a vida estabilizada, uma carreira de sucesso e o futuro pela frente, ela encara os traumas do passado e pode até ter seu momento “Kill Bill” (se o espectador permitir, é claro).

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