Museu do Amanhã reabre no Rio com filas de visitantes cariocas e turistas

Medidas de segurança contra Covid-19 adotadas por instituição recebem críticas e elogios de visitantes

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Rio de Janeiro

A moradora de São Paulo Cleynyra Faco Guimarães, de 37 anos, nunca havia visitado o Museu do Amanhã em suas viagens ao Rio de Janeiro. Neste sábado (5), porém, a relações públicas e a filha Cecília Costa, de dez anos, foram as primeiras visitantes a chegar ao local, que voltou a abrir as portas ao público.

O Museu do Amanhã estava fechado desde o dia 16 de março por causa da pandemia do novo coronavírus. O local, que chegou a ter mais de 5.000 visitantes por dia, sendo 1.200 simultaneamente, é o primeiro grande museu do Brasil a reabrir as portas. Agora, a capacidade foi reduzida para 300 visitantes por hora.

Nesta semana o Teatro Amazonas, em Manaus, se tornou a primeira grande sala de espetáculos a retomar as atividades com público.

“Visitar o Museu do Amanhã foi uma alegria, um sonho realizado, mas vi alguns problemas lá dentro. Os funcionários estão perdidos, algumas pessoas não estão respeitando o distanciamento e muitos dos equipamentos, que são interativos e precisam ser tocados, não estão sendo higienizados entre um visitante e outro”, contou Guimarães.

fila de pessoas sob sombra listrada
Museu do Amanhã tem o primeiro dia de reabertura no Rio neste sábado (5) - Divulgação/Museu do Amanhã

Ela, que chegou ao Rio no último dia 29, disse que visitou outros pontos turísticos da cidade. “Moro em São Paulo e lá as pessoas estão muito neuróticas com a pandemia. Aqui no Rio, cheguei a retirar a máscara para fazer fotos nos pontos turísticos e não fui abordada. Em São Paulo, percebo uma preocupação maior das pessoas do que aqui no Rio”, disse Faco Guimarães.

Já a biomédica Cláudia Silveira, de 47 anos, disse que não viu problemas durante o período em que esteve no museu. Apesar de ser carioca, Silveira não morava no Rio e ainda não havia conhecido o local.

“Depois que voltei a morar no Rio veio a pandemia, estava ansiosa esperando a reabertura. Amei a visita. Minha temperatura foi verificada na entrada e tinha bastante álcool em gel, achei bastante seguro”, diz ela.

No início da manhã deste sábado, as pessoas que estavam na fila de acesso ao museu, que fica do lado de fora, ao ar livre, respeitavam as marcações no chão. Antes da abertura, às 10h, já havia uma pequena fila no local.

Para a reabertura, segundo a instituição, está sendo seguido o protocolo recomendado pelo Plano de Retomada da Cidade e pelo Icom, o Conselho Internacional de Museus.

De acordo com a instituição, entre as medidas adotadas contra a Covid-19 estão o uso obrigatório de máscaras, a adoção de tapetes sanitizantes, a sinalização de distanciamento entre as pessoas e a mudança no percurso da exposição de longa duração.

Também houve mudança nos dias e horários de funcionamento. O museu passou a abrir ao público só de quinta a domingo, no horário de 10h às 17h. O ingresso custa R$ 26. Todas as gratuidades e meias-entradas previstas em leis estão mantidas.

“Por causa da pandemia, o Museu do Amanhã deixou de arrecadar cerca de R$ 6 milhões em 2020, com as perdas de bilheteria, aluguel para eventos e aluguel de loja, restaurante e café. Ainda assim, mantivemos as operações de segurança, limpeza e manutenção, além de criar uma programação online para manter a conexão com o nosso público e atualizar a exposição de longa duração”, afirma Ricardo Piquet, diretor presidente do IDG, instituto que faz a gestão do museu.

Roberta Guimarães, diretora-executiva do Museu do Amanhã, frisa que tudo está sendo feito para que as pessoas possam retornar ao museu sem risco.

“Nessa nova fase, é preciso ter cuidado com o outro e esse cuidado passa pelo distanciamento e pelo respeito às regras. A pandemia do coronavírus nos ensinou o valor das nossas ações em sociedade, não só em relação ao consumo, mas também na preservação da vida, da natureza e da nossa relação com o outro”, disse ela.

Inaugurado em dezembro de 2015 pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã é um equipamento cultural da Secretaria Municipal de Cultura.

Sobre os problemas apontados durante a visita, o Museu do Amanhã informou que está seguindo os protocolos do Icom e das autoridades sanitárias para a reabertura.

“Quando o visitante compra o ingresso, que agora é só pela internet, ele recebe a orientação da obrigatoriedade do uso de máscara e é orientado sobre o respeito ao distanciamento social e o uso do álcool em gel, que está disponível ao longo de toda a exposição”, informou em nota a instituição.

Ainda de acordo com o museu, a equipe de limpeza foi reforçada e está fazendo a higienização dos equipamentos interativos a cada uso. “A equipe do educativo e de orientação ao público foi treinada e aborda o visitante em caso de desrespeito às regras. A pandemia do coronavírus é um desafio para a sociedade e o Museu do Amanhã espera que o público colabore, respeitando as regras”, diz outro trecho da nota.

A instituição informou ainda que, ao final deste dia, a equipe do museu vai se reunir para avaliar o primeiro dia de visitação e fazer correções se forem necessárias.

O local, que já recebeu mais de 4 milhões de visitantes desde a inauguração, e fica na praça Mauá, lugar que passou por revitalizações para a Copa do Mundo e a Olimpíada, é um museu de ciências aplicadas a partir das perspectivas da sustentabilidade e da convivência.

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