Descrição de chapéu Maratona drogas

Série 'Dom' traz garoto da zona sul viciado que virou assaltante famoso do Rio

Gabriel Leone de cabelos loiros e lentes de contato vive Pedro Dom, criminoso dos anos 1990 filho de policial antidrogas

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São Paulo

Doze anos atrás, um homem apareceu querendo falar com Breno Silveira numa produtora do Rio de Janeiro. Não arredaria dali enquanto não fosse recebido pelo diretor de “Dois Filhos de Francisco” e "Gonzaga: De Pai pra Filho".

Era Luiz Victor Lomba, um ex-policial e pai de Pedro Dom, o criminoso chamado pela imprensa de “ladrão fashion” e “assaltante de casas mais procurado do Rio”, morto pela polícia em 2005, aos 23 anos.

Quando Silveira o recebeu, Lomba começou a falar sem parar sobre um dos temas caros ao diretor, a relação entre pai e filho. “Ele estava enlouquecido e nervoso”, conta Silveira. Muitos anos, alguns roteiristas e dois livros depois, essa história chega ao streaming em “Dom”, a nova série de Silveira que estreia nesta sexta (4) mundialmente no Amazon Prime Video.

Em oito episódios, acompanhamos, entre idas e vindas no tempo, a história de como Victor, aqui com o sobrenome Dantas, um jovem que adora mergulhar, passa a trabalhar para a polícia no combate ao tráfico de drogas nos anos 1970, em meio à ditadura, e a história de como Pedro, filho do ex-policial Victor e viciado em cocaína desde os 13, passa a ser Pedro Dom, um dos maiores assaltantes de casas de luxo nos anos 1990.

O próprio Lomba, algum tempo depois daquele encontro, colocou suas memórias em livro, “O Beijo da Bruxa”, de 2011. Tony Bellotto, que também é amigo de Silveira e acompanhou a relação do diretor com Victor, transformou a história em ficção com “Dom”, lançado em 2020.

Em setembro de 2005, a Folha começava assim o texto sobre a morte de Dom: “O ladrão mais procurado do Rio de Janeiro —loiro, de olhos verdes e nascido em família de classe média— foi morto ontem de madrugada, após perseguição policial da qual tentou escapar detonando até uma granada”.

Para Silveira, era importante manter esse visual de garoto da zona sul carioca para o ator que fosse viver Dom. O escolhido foi Gabriel Leone, que foi, então, caracterizado com lentes que o deixam com os olhos azuis e teve seu cabelo pintado. “Não estou falando de um bandido que vem do morro, do desespero social, da classe baixa. Estou falando de um menino que tinha tudo. A figura dele abria portas. Sabemos que esse estereótipo abre portas na nossa sociedade”, diz Silveira.

homem mais jovem dorme encostado em homem mais velho que segura sua cabeça
Gabriel Leone e Flávio Tolezani em cena de 'Dom', série do Amazon Prime dirigida por Breno Silveira - Divulgação

Com câncer no pulmão, Lomba morreu em 2018, não sem antes enviar páginas e mais páginas para Silveira. “Lomba dizia que a pior coisa era se despedir da vida com o retrato do filho feito pelos jornais. Para ele, o filho não era só aquilo, embora entendesse o mal que fez”, diz Silveira.

Seu primeiro trabalho foi no documentário “Santa Marta - Duas Semanas no Morro”, de Eduardo Coutinho, de 1987, em que a equipe passou 15 dias na comunidade do morro Dona Marta, em Botafogo. Agora, ele volta ao cenário ao mostrar a amizade de Victor com um traficante da área nos anos 1970 enquanto trabalhava sob disfarce.

A série, que contou com 185 atores, 3.000 figurantes e 170 locações —Silveira diz ter horror a estúdios—, navega por dois temas recorrentes no audiovisual brasileiro, a violência na relação asfalto e morro no Rio de Janeiro e o combate às drogas.

Malu Miranda, chefe de conteúdo original para o Brasil do Amazon Studios, diz que qualquer assunto delicado e que resvala em clichês “se humaniza nos personagens e foge dos estereótipos ao entrar em suas diferentes camadas”. No caso de “Dom”, para ela, isso ocorre ao mostrar o pai policial que ama e se preocupa com o filho, entrando em suas questões íntimas.

Para o ator Flavio Tolezani, que vive Victor, as oposições contidas nesses temas são bem cuidadas ao serem inseridas na história as relações afetivas e as frustrações de seu personagem com as instituições.

Segundo Silveira, que diz que suas histórias anteriores eram solares e que, agora, seus personagens são pesados, a série é o retrato de duas pessoas derrotadas: um morreu jovem e o outro lutou numa guerra sem sentido. No final da vida, Lomba se mostrava arrependido por ter dedicado a vida à guerra contra as drogas, avaliava que havia lutado do lado errado, e que as drogas deveriam ser legalizadas.

Dom

  • Quando A partir de sexta (4)
  • Onde Amazon Prime Video
  • Classificação 18 anos
  • Elenco Gabriel Leone, Flavio Tolezani, Raquel Villar, Isabella Santoni, Laila Garin
  • Direção Breno Silveira e Vicente Kubrusly
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