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Renato Terra

'Três Estranhos Idênticos' usa suspense para narrar o inusitado

A inacreditável história dos trigêmeos que se conheceram por acaso tem documentário disponível na Netflix

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Renato Terra

Bobby Shafran senta diante da câmera. Seu semblante é sério. Sua voz, em off, diz: “Quando eu conto minha história, as pessoas não acreditam”. Em seguida, Bobby completa: “Eu também não acreditaria se alguém me contasse, mas estou contando, e é verdade. Cada palavra”.

Bobby lembra que a história começa quando ele tinha 19 anos e dirigia um Volvo de 1970 em direção ao seu primeiro dia de aula na faculdade. A cena seguinte mostra um Volvo em alta velocidade e acompanha um jovem que chega ao campus e é cumprimentado efusivamente pelos alunos.

Tudo é tão intrigante que parece um roteiro de Charlie Kaufman: em seu primeiro dia de aula, sem conhecer ninguém, Bobby é querido por todos.

Ao entrar no seu quarto, um amigo mata a charada: um irmão gêmeo. Ansioso, Bobby vai encontrar Eddy. Os dois se reconhecem, se emocionam e sentem uma conexão imediata. Seus olhares, cabelos, gestos, suas manias são iguais. A história dos gêmeos que se reencontram após 19 anos ganha os jornais.

Mas a cada dez minutos, mais ou menos, “Três Estranhos Idênticos” acrescenta uma nova camada ao rocambole. A próxima camada é David. O terceiro gêmeo vê a foto dos irmãos num jornal e decide encontrá-los.

Três gêmeos idênticos foram separados no nascimento e adotados por três famílias diferentes para ver quanto de seus comportamentos são moldados pela genética e o quanto é determinado pelo convívio social. Dessa forma rocambolesca, “Três Estranhos Idênticos” vai se desenvolvendo a partir dessas questões. A cada nova camada, a história vai ficando mais inacreditável.

três homens de cabelo encaracolado e blusa bege sorriem lado a lado
Cena de 'Três Estranhos Idênticos' - Imdb

A edição do documentário funciona como a de um filme de suspense. Alimenta as informações aos poucos, sempre incompletas. Tudo corre de forma ágil e intrigante como se Denzel Washington estivesse ali juntando informações para solucionar um grande mistério.

Cenas são dramatizadas, mas sem mostrar os rostos, sem criar diálogos. E funcionam justamente por isso: ajudam a contar a história real, a criar climas, sugestões. Jamais entram numa zona ficcional que se descola da realidade que é narrada.

Mais para o final, o filme peca apenas pela ânsia de dar respostas para questões complexas. Talvez para saciar o clima de suspense nível Denzel Washington que foi criado, o que não chega a comprometer o seu intrigante resultado.

P.S.: Deixo aqui meu agradecimento especial à Camila Appel, autora do blog Morte Sem Tabu, que me recomendou este filme.

Faixas extras

  • Os trigêmeos numa entrevista em 1981
  • Entrevista com o diretor Tim Wardle e dois dos trigêmeos
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