Confira a programação de música clássica em São Paulo ao longo de 2022

Com obras de Villa-Lobos, Richard Strauss e Leonard Bernstein, temporada traz concertos e óperas de qualidade

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São Paulo

No ano passado as temporadas clássicas passaram por dois momentos diferentes bem definidos –um praticamente online, no primeiro semestre, quando as idas e vindas da pandemia resultaram em inúmeros cancelamentos e adaptações, e, pós-vacinação, um segundo semestre quase normal, com uma consistente retomada dos concertos presenciais com público.

Para este ano as temporadas mais fortes e organizadas de São Paulo –Osesp, Cultura Artística e Theatro São Pedro à frente– apostam com otimismo na manutenção desse cenário.

Conforme a Osesp, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, se libertou das pendências do terrível ano de 2020 e deixou emergir a temporada 2021, os objetivos atuais da orquestra começaram a aparecer, em especial o trabalho do regente titular Thierry Fischer.

homem regendo
O regente Thierry Fischer - Marco Borggreve/Divulgação

Concertos do final do ano passado regidos por Fischer –como o com as duas últimas sinfonias de Mozart e o com obras de Schoenberg e Brahms– movimentaram especialmente os círculos musicais especializados, que perceberam um rico potencial de novas qualidades incorporadas ao som da orquestra.

Por isso vale a pena prestar atenção nos concertos a serem regidos pelo titular em 2022 desde a abertura em 10 de março, em programa com Villa-Lobos, Sibelius e Varèse, eixos importantes da temporada que destaca o modernismo brasileiro e internacional —além do próprio Sibelius e em Richard Strauss.

Outros programas de destaque com ele são o de 17 de março —apresentando Beethoven, Haydn, Bartók—, Ravel e Mahler, em 29 de setembro, além da "Nona Sinfonia" de Beethoven antecedida por uma encomenda ao brasileiro Marcos Balter em 15 de dezembro.

Falando em encomendas e estreias, Arrigo Barnabé, que fez 70 anos no ano passado, terá a excelente "Missa Noia" reapresentada em programa extraordinário do Coro da Osesp em 10 de abril, com estreia de nova obra de Rodolfo Coelho de Souza, além de uma das mais importantes peças corais de Gilberto Mendes e renascença flamenga. Barnabé vai compor também um "Quinteto com Piano" para estrear ao lado do Quarteto Osesp em 30 de outubro.

Outros programas de destaque trazem os regentes David Robertson em 7 de abril, Heinz Holliger em 16 de junho e Marin Alsop em 1º de setembro, repetição do programa deste ano centrado em Villa-Lobos, Clarice Assad, Edino Krieger e Almeida Prado que será levado em seguida ao Carnegie Hall de Nova York.

No ano que passou, o destaque da Cultura Artística foi a série de violão, que parece ter encontrado seu espaço ideal no moderníssimo Teatro B32. A série segue forte neste ano, mas a ela se soma a esperada retomada da temporada internacional na Sala São Paulo, que começa em 3 de maio com o tenor polonês Piotr Beczala, passa por um programa de violino e piano dedicado ao centenário de morte do escritor Marcel Proust no dia 31 do mesmo mês e traz estrelas do piano como Nikolai Lugansky, Khatia Buniatishvili, Vadym Kholodenko e Benjamin Grosvernor.

Também estarão na robusta temporada orquestras como a Filarmônica Real de Liège, em 21de junho, Academy of Saint Martin-in-the-Fields com o violinista Joshua Bell, em 30 de agosto, a Orquestra Barroca de Veneza com a mezzo soprano tcheca Magdalena Kožená, em 20 de setembro, e a Filarmônica de Câmara Alemã de Bremen, em 25 de outubro.

Enfim, enquanto o Theatro Municipal de São Paulo nem ao menos anunciou a sua programação, o Theatro São Pedro traz uma temporada de óperas de fato extensa e coerente, algo como não se vê –não só na cidade, mas no país– há muitos anos.

O São Pedro oferece o barroco Pergolesi em março, apresentando a obra pioneira da ópera cômica, o intermezzo "La Serva Padrona", o bel canto de Bellini em "Os Capuletos e os Montéquios", e chega ao século 20 de Richard Strauss com "Ariadne em Naxos" e de Kurt Weill e Bertold Brecht com "A Ópera dos Três Vinténs".

Orquestra do Theatro São Pedro
Orquestra do Theatro São Pedro - Sergio Ferreira/Divulgação

Para além, cabe destacar a encomenda de "O Canto do Cisne", com libreto de Lívia Sabag a partir de Tchekov e música de Leonardo Martinelli, além de 25 récitas do musical "West Side Story", de Leonard Bernstein.

Vale a pena acompanhar essa temporada, com 11 títulos operísticos, anunciada com a antecedência necessária, já com a discriminação de todos os diretores cênicos, regentes e elencos —muito bem escolhidos, aliás—, o que é prova do muito que se pode fazer com profissionalismo e sensatez.

Programações são feitas para saírem do papel e só quando realizadas na materialidade concreta do som em movimento podem ser, de fato, avaliadas. Tomara que tudo isso possa se tornar em breve experiência vivida.

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