Camila Queiroz relembra Angel ao abrir desfile com performance na SPFW

A atriz dividiu os holofotes com a cantora Marina Sena, que surgiu toda de lingerie vermelha tecida com transparência

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São Paulo

Um dos propósitos da Bold Strap, grife que encerrou o segundo dia da São Paulo Fashion Week, no final da noite de quarta-feira (1), é romper com a lógica de que homem veste cueca e mulher veste calcinha.

A máxima que parece mover o estilista Pedro Andrade pode lembrar a polêmica do "menino veste azul, e menina, rosa", uma marca da pastora Damares Alves, que esteve à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no atual governo. Essa é mesmo a ideia.

A cantora Marina Sena e a atriz Camila Queiroz durante desfile da marca Bold Strap na São Paulo Fashion Week (SPFW) Verão 2023, na noite da quarta-feira (1) - Fred Othero/Divulgação

Os modelos de calcinha ampliada, usada pelos garotos, e a desconstrução da lingerie usada pelas garotas, extravagantemente recortada, vai de encontro ao discurso de defesa da moral e dos bons costumes propagado por Brasília nesses últimos quatro anos.

A partir do conceito de moda queer, uma tesoura que extirpa o ideal de gênero na composição dos looks e defende uma lógica não-binária do guarda-roupas, Andrade agrada aos fashionistas mais ousados que se espalham pelas redes sociais e pelas boates das capitais abraçados ao fetiche.

Havia botas de borracha, acessórios metálicos de BDSM, meias-arrastão, gargantilhas e toda a sorte de itens lidos como sexuais até pouco tempo atrás. Na coleção desfilada no Komplexo Tempo, espaço da zona leste convertido numa enorme boate, as roupas resumiam essa noite fetichizada.

Bodies estampados e com fendas espalhadas, além de pedaços generosos de bundas, seios e barrigas à mostra, ofereceram um olhar próximo da geração de jovens que embaça o olhar "conservador nos costumes". Ela existe, é numerosa e, na passarela, ganhou a moda que desejam para se libertar da roupa íntima básica demais.

Íntima, em parte, porque também pode ser usada como roupa exterior. Andrade foi esperto ao chamar celebridades como a atriz Camila Queiroz e a cantora Marina Sena, dois nomes que transitam pelas redes sociais onde está o público da marca, para desfilar a coleção.

Entre os convidados, estiveram presentes a empresária e ex-BBB Bianca Andrade, a atriz Cleo e a cantora Duda Beat, defensoras, em menor ou maior grau, dessa libertação do corpo exposto e dos códigos morais que oprimem a vestimenta para os gêneros.

O estilista não entregou uma visão mais do mesmo do que já expôs no passado na Casa de Criadores, evento de desfiles que abriu as portas para sua marca. A passarela era diversa em se tratando de tamanhos, cores e gêneros desses corpos abertos no espaço, porque eram gordos, magros, pretos, brancos, de meninas, de meninos e também "menines".

Todos juntos e misturados, eles tentaram bater de frente com o conservadorismo que insiste em rondar a criação de moda nesses tempos de policiamento da pele alheia. E é para isso, também, que serve uma passarela.

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