Com prévia fraca da inflação, grupo vê novo corte da Selic em março

Maioria projeta crescimento de 2,89% no PIB de 2018, segundo boletim Focus

São Paulo

O grupo dos que mais acertam as projeções na pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, passou a indicar expectativa de corte da Selic, a taxa básica de juros, em março, após dados fracos sobre inflação.

O chamado "top-5" agora projeta a Selic a 6,63% na mediana das projeções de março, quando acontece o próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária), segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (26). A previsão anterior era de manutenção em 6,75%.

Para o fim do ano, entretanto, o grupo continua vendo a taxa no patamar atual de 6,75%, indo a 8% no final de 2019.

Na semana passada, o IPCA-15 ficou abaixo do esperado ao subir 0,38% em fevereiro devido à queda dos preços da energia elétrica, indo a 2,86% em 12 meses.

A fraqueza da inflação levanta a perspectiva de novo corte da taxa básica de juros em março, depois de o BC sinalizar o fim do ciclo de afrouxamento monetário, mas o mercado futuro de juros mostrava aposta dividida entre novo corte e manutenção.

Na pesquisa geral, os economistas consultados continuavam vendo manutenção da Selic nos atuais 6,75%, mínima histórica, terminando o ano nesse nível. Em 2019 a projeção é de que a Selic vá a 8%, sem alterações.

Já as contas para a inflação neste ano caíram pela quarta vez seguida, com os especialistas vendo agora alta do IPCA de 3,73% em 2018, frente a 3,73% na semana anterior. Para 2019, a projeção continua sendo de avanço de 4,25%.

A meta do governo para a inflação neste ano é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

PIB

Em relação à economia, o PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer 2,89% em 2018 segundo a projeção do levantamento, sobre 2,80% antes. Em 2019, a expansão aceleraria a 3%.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga nesta quinta-feira (1º) o resultado do PIB de 2017. A expectativa do mercado é de um crescimento na casa de 1%. 

Em evento em São Paulo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a afirmar nesta segunda que o cenário para 2018 prevê "recuperação consistente" da economia e com a inflação em direção à meta oficial, mas que também há riscos.

Segundo apresentação preparada para evento, Ilan disse que os riscos envolvem "possíveis efeitos secundários de choques favoráveis e mecanismos inerciais podem produzir trajetória prospectiva da inflação abaixo do esperado", bem como frustração das reformas e reversão do cenário externo benigno.

Em 2016, o PIB brasileiro recuou 3,6%.

A recessão em que o país mergulhou no segundo trimestre de 2014 terminou em dezembro de 2016, de acordo com o Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), grupo formado pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Com a decisão do colegiado –que determina o início e o fim de períodos de expansão e queda da atividade no Brasil–, ficou estabelecido que a recessão durou 11 trimestres, levando o PIB (Produto Interno Bruto) a uma queda acumulada de 8,6%.

Reuters

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