Pioneiros do Facebook e Google combatem vício em tecnologia

Empresa criada por ex-funcionários fará campanha em escolas

Ex-empregados do Facebook e Google desafiam empresas e querem reduzir o vicio em tecnologia - AFP
NELLIE BOWLES
New York Times

Diversos profissionais de tecnologia do Vale do Silício que estiveram entre os primeiros empregados do Facebook e do Google, alarmados com os efeitos perversos das redes sociais e smartphones, estão se unindo para desafiar as empresas que ajudaram a construir.

Esses especialistas, que estão preocupados com a atual situação do setor, formaram uma organização chamada Centro para Uma Tecnologia Humana. Em parceria com a Common Sense Media, uma organização sem fins lucrativos que fiscaliza a mídia, o grupo planeja um esforço de lobby contra o vício em tecnologia e uma campanha de propaganda nas 55 mil escolas públicas dos Estados Unidos.

A campanha, intitulada "A Verdade Sobre a Tecnologia", terá verba de US$ 7 milhões, vinda da Common Sense e de capital arrecadado pelo Centro para Uma Tecnologia Humana. A Common Sense também obteve US$ 50 milhões em tempo e espaço na mídia, de parceiros como a Comcast e a DirecTV. A campanha terá por objetivo educar estudantes, pais e professores quanto aos perigos da tecnologia, entre os quais a depressão que pode ser causada pelo uso pesado de mídia social,

"Nós estivemos do lado de dentro", disse Tristan Harris, antigo encarregado de questões éticas do Google e presidente da nova organização. "Sabemos o que essas empresas medem. Sabemos como elas falam, e sabemos como a engenharia funciona".

O efeito da tecnologia se tornou alvo de intenso debate. Em janeiro, dois grandes investidores de Wall Street pediram que a Apple estudasse os efeitos de seus produtos sobre a saúde, e que facilitasse a limitação do uso de iPhones e iPads por crianças. Especialistas em pediatria e saúde mental apelaram ao Facebook na semana passada para que abandone o serviço de mensagens que a empresa criou para crianças a partir dos seis anos de idade. Grupos de pais também expressaram preocupação com o YouTube Kids, produto dirigido a crianças que às vezes posta conteúdo perturbador.

O novo Centro para Uma Tecnologia Humana representa uma aliança sem precedentes entre antigos empregados de algumas das maiores empresas atuais de tecnologia. Além de Harris, ele envolve também Sandy Parakilas, antiga gerente de operações do Facebook; Lynn Fox, antiga executiva de comunicações da Apple e do Google; Dave Morin, antigo executivo do Facebook; Justin Rosenstein, que criou o botão Like do Facebook e é cofundador da Asana; Roger McNamee, um dos primeiros investidores no Facebook; e Renée DiResta, tecnóloga que estuda bots.

Tradução de PAULO MIGLIACCI 

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