Bolsas dos EUA caem após anúncio de tarifas no país; Ibovespa fica estável

Preocupação é que medida gere pressões inflacionárias e leve a mais altas de juros nos EUA

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Presidente americano, Donald Trump, em coletiva na qual anunciou imposição de tarifas a aço e alumínio
Presidente americano, Donald Trump, em coletiva na qual anunciou imposição de tarifas a aço e alumínio - REUTERS
São Paulo

O crescimento de 1% da economia brasileira em 2017, anunciado pelo IBGE nesta quinta-feira (1º), foi ofuscado, no mercado financeiro, pelo anúncio do presidente americano, Donald  Trump, de que imporia tarifas à importação de aço e alumínio. Nos EUA, os principais índices caíram mais de 1%. 

Aqui, o Ibovespa, das ações mais negociadas, teve leve alta de 0,03%, para 85.377 pontos. O volume negociado foi de R$ 12,2 bilhões —no ano, a média diária está em R$ 11,5 bilhões.

O dólar comercial subiu 0,36%, para R$ 3,256. O dólar à vista avançou 0,34%, para R$ 3,253.

A notícia do dia foi o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que vai impor tarifas à importação de aço e alumínio, o que provocou turbulências nos principais índices dos Estados Unidos. 

O índice Dow Jones caiu 1,68%. O S&P 500 perdeu 1,33%, e o índice da Bolsa de tecnologia Nasdaq recuou 1,27%.

A preocupação é que o movimento gere pressões inflacionárias e leve o banco central americano a subir os juros para manter a inflação na meta de 2% ao ano —hoje, está abaixo disso.

As altas devem aumentar o rendimento dos títulos de dívida americana, o que atrai dinheiro aplicado em Bolsa e em países emergentes.

"Se os EUA vão aumentar tarifas por um tempo, isso implica aumento de preços, mais inflação, e todos os medos recorrentes. Além de lançar dúvidas sobre a dinâmica do comércio mundial", avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. "Os EUA estão abrindo mão de ser líderes do mundo globalizado. Estão abrindo mão de fazer política."

Ainda nos EUA, o novo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, prestou depoimento ao Senado e afirmou que a economia americana não parece estar superaquecida, sugerindo que o aumento de juros no país continuará gradual neste ano.

Em São Paulo, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, afirmou que "gradual" poderia ser aplicado a um cenário em que os juros aumentassem quatro vezes no ano, em vez de três, como fez o Fed no ano passado e como era projetado para este ano.

"O ponto sensível é tudo o que possa afetar a inflação americana. O mercado já precifica quatro altas no fim deste ano, a probabilidade está em 30%. O mercado reage a isso", diz Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

PIB

O resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre —alta de 0,1%— veio um pouco abaixo do esperado pelo mercado, mas nada que exigisse uma revisão de cenário ou de projeções, afirma Paulo Val, economista-chefe do Brasil Plural Asset  Management.

"Não foi uma grande surpresa, nem em termos de magnitude nem em composição. A diferença foi dentro do razoável. A gente tinha projeção de 0,2%", afirma.

"Viemos de um quadro de recessão forte e caminhamos para um quadro de retomada gradual. 2018 vai ser um ano em que vamos mostrar uma consistência maior da recuperação. Não vai ser a alta de 7% de 2010, mas é um crescimento estimulado pela política monetária, pelas taxas de juros mais baixas, pela recuperação do mercado", ressalta.

Para Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, o dado não provocou impacto no mercado financeiro. "Só tem impacto se o resultado for discrepante. Mas veio em linha com o esperado, com o consumo das famílias voltando a crescer, a agropecuária puxando. Neste ano, vemos um crescimento de 3%, em cenário de inflação baixa. Podemos ter uma surpresa positiva, o que vai nortear é a inflação."

AÇÕES

O anúncio de imposição de tarifas nos EUA impactou as ações da CSN e da Usiminas, que caíram, respectivamente, 4,43% e 4,22%.

Das 64 ações que compõem o Ibovespa, 31 subiram, 32 caíram e uma fechou estável.

A maior queda foi registrada pelas ações da EcoRodovias, com baixa de 8,16%. 

A Gerdau liderou as altas, com avanço de 3,19%. A Via Varejo subiu 2,88%, e a Telefônica avançou 2,43%.

As ações da Petrobras fecharam em baixa, em linha com a queda dos preços do petróleo no exterior e depois de o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) reprovar a compra da Liquigás, maior distribuidora de gás de cozinha que pertence à estatal, pelo grupo Ultra. 

Os papéis preferenciais da petrolífera caíram 2%, para R$ 21,03. As ações ordinárias recuaram 1,64%, para R$ 22,77.

A mineradora Vale caiu pelo terceiro dia. As ações ordinárias perderam 1,33%, para R$ 44,45.

No setor bancário, as ações do Itaú Unibanco subiram 1,45%. Os papéis preferenciais do Bradesco avançaram 0,57%, e os ordinários se valorizaram 0,76%.

CÂMBIO

O dólar se fortaleceu ante 22 das 31 principais moedas do mundo.

O Banco Central não anunciou intervenção para o mercado cambial nesta quinta-feira. Em abril, vencem US$ 9,029 bilhões em contratos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro).

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 1,91%, para 159,3 pontos no terceiro dia de alta.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram desempenho misto. O DI para abril deste ano subiu de 6,590% para 6,602%. O DI para janeiro de 2019 caiu de 6,575% para 6,555%.

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