Petrobras fecha 2017 com prejuízo de R$ 446 milhões e tem quarto ano de perdas

Resultado foi impactado por acordo em ação coletiva de investidores dos EUA

 
Prédio da Petrobras: estatal teve, em 2017, o quarto ano de prejuízo
Prédio da Petrobras: estatal teve, em 2017, o quarto ano de prejuízo - Sergio Moraes/Reuters
São Paulo

Com forte impacto do acordo para encerrar uma ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos, a Petrobras registrou em 2017 prejuízo de R$ 446 milhões.

É o quarto ano de prejuízo consecutivo da companhia, porém em nível menor do que nos anos anteriores. As perdas em 2016 haviam sido de R$ 14,8 bilhões. 

A notícia desagradou aos investidores. Os papéis mais negociados da Petrobras caíram 4,78%, para R$ 21,31. As ações ordinárias recuaram 2,08%, para R$ 23,12.

O prejuízo anunciado nesta quinta-feira (15) ocorreu em meio a novas perdas de participação de mercado de combustíveis no Brasil e também com reavaliações bilionárias de ativos ("impairment"), como as baixas no setor de fertilizantes (R$ 1,3 bilhão ) e uma relacionada à segunda unidade de refino na Refinaria do Nordeste (R$ 1,5 bilhão).

Mas os executivos da companhia ressaltaram a tendência de que o balanço da empresa fique mais previsível no futuro.

Em nota, a empresa aponta que teria alcançado um lucro líquido de R$ 7 bilhões sem as despesas extraordinárias —especialmente o acordo de R$ 11 bilhões para encerramento da ação coletiva de investidores nos EUA e a adesão a programas de regularização de débitos federais, que somaram R$ 10,4 bilhões—, que tiveram impacto significativo no resultado.

Tais despesas afetaram fortemente o resultado do quarto trimestre, que fechou com um prejuízo líquido de R$ 5,4 bilhões, ante lucro de R$ 2,5 bilhões no mesmo período do ano anterior.

"A class action tem efeito no resultado, mas foi importante para eliminar uma incerteza que isso poderia ter nos nossos resultados... temos trabalhado muito intensamente para solucionar passivos contingentes", afirmou o presidente-executivo da Petrobras, Pedro Parente, em conferência com jornalistas.

Segundo ele, a Petrobras está muito mais organizada em termos de governança, integridade e gestão, "eliminando fraquezas materiais e deficiências significativas de controle".

O lucro da Petrobras antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do ano em 2017, por sua vez, foi de R$ 76,5 bilhões, ante R$ 88,6 bilhões no ano anterior.

Em 2017, a empresa reduziu a dívida líquida para US$ 84,8 bilhões, menor valor desde 2012.

A relação entre a dívida líquida e a geração de caixa medida pelo Ebitda saiu de 3,16 em setembro de 2017 para 3,67 em dezembro do ano passado refletindo negativamente na métrica financeira da
companhia.

MERCADO

A Petrobras também anunciou que perdeu participação no mercado brasileiro de gasolina e diesel em 2017, mesmo após adotar uma nova política de preços para aumentar a competitividade no setor.

Na gasolina, a fatia da Petrobras caiu para 83% em 2017, contra 90% em 2016 e 96% em 2015.

No diesel, a participação foi de 74% em 2017, contra 83% em 2016 e 97% em 2015.

Em fevereiro, a fatia da companhia no mercado de gasolina estava em 77%. No diesel, a participação era de 79%.

DIVIDENDOS

A empresa ainda informou que seu Conselho de Administração determinou a realização de estudos para alterações no Estatuto Social da companhia, visando estabelecer o pagamento trimestral de dividendos e juros sobre capital próprio de acionistas.

O resultado do estudo, caso seja aprovado pelo Conselho de Administração da companhia, será encaminhado para deliberação da Assembleia Geral dos Acionistas.

Se o plano for aprovado, é possível que haja distribuição de lucros relativos ao resultado do primeiro trimestre deste ano.

"Quando você olha a valorização das ações da empresa entre junho de 2016 e agora, vê uma empresa que saiu de R$ 108 bilhões de valor de mercado para uma que bate R$ 300 bilhões. Não é possível que os acionistas estejam insatisfeitos. Mas reconhecemos que a falta de dividendos no período é importante", disse Parente.

Para a estatal, a iniciativa "reafirma o compromisso da Petrobras com a contínua melhoria de sua governança corporativa e com a criação de valor para os seus acionistas, sem perder o foco no objetivo de redução de endividamento e na sustentabilidade financeira da companhia".

Reuters

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