Descrição de chapéu comércio exterior

Nenhum país ficará livre da sobretaxa do aço, diz Casa Branca

Brasil vê como prejudicial tom bélico da UE e aguarda anúncio formal dos EUA sobre medida 

Secretário de comécio dos EUA, Wilbur Ross - Mandel Ngan / AFP
Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com líderes mundiais sobre seu planejado aumento de tarifas sobre o aço e alumínio e não está considerando nenhuma isenção à medida, disse o secretário de Comércio, Wilbur Ross, neste domingo.

"Eu sei que ele teve conversas com vários líderes mundiais", disse Ross em entrevista ao programa "This Week", da ABC.

"A decisão obviamente é dele, mas dado o momento e até onde eu sei, ele está falando sobre uma medida bastante ampla. Ainda não o ouvi descrever isenções específicas", disse Ross.

Na quinta-feira (28), Trump disse que os Estados Unidos aplicariam uma taxa de 25% sobre o aço importado e de 10% sobre o alumínio para proteger os produtores nacionais, provocando uma tempestade de críticas dos parceiros comerciais e impactando os mercados de ações.

Ross minimizou os possíveis efeitos das tarifas propostas sobre a economia dos EUA. Ele disse que a quantidade total de tarifas que o governo dos EUA propõe é de cerca de US$ 9 bilhões por ano, uma fração de 1% da economia.

"Então a noção de que isso destruiria muitos empregos, elevaria os preços, perturbaria as coisas está errada", disse Ross.

O secretário de comércio avaliou as ameaças da União Europeia de implementar tarifas de retaliação sobre produtos americanos emblemáticos, incluindo motos Harley Davidson, bourbon e o jeans Levi's, como triviais e um "erro de arredondamento".

No sábado (3), Trump ameaçou as montadoras europeias com um imposto sobre as importações se a União Europeia optar pela retaliação.

Ross disse que os europeus estavam discutindo uma quantidade bastante trivial de tarifas de retaliação, somando cerca de US$ 3 bilhões em mercadorias.

"Pelo tamanho da nossa economia, isso é uma pequena, pequena fração de 1%", afirmou Ross. "Então embora isso possa afetar um produtor individual por algum tempo, no geral não será muito mais do que um erro de arredondamento".

Em um telefonema ao presidente americano, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse ter profunda preocupação com as tarifas. 

Segundo uma porta-voz do gabinete da primeira-ministra, May observou que uma ação multilateral era a única maneira de resolver o excesso de capacidade global.

ALÍVIO

Haverá, contudo, um processo para que empresas obtenham isenções do plano da Casa Branca de impor tarifas sobre o aço e alumínio, disse  Peter Navarro, diretor do Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca. 

Navarro, um dos principais assessores comerciais de Trump, deu a primeira indicação de que o aumento de tarifas poderá ser menos amplo do que inicialmente pensado.

Ele afirmou que os países não serão excluídos das tarifas porque essa seria uma inclinação escorregadia, mas destacou que haverá um mecanismo para isenções corporativas em alguns casos.

"Haverá um procedimento de isenção para casos específicos em que precisamos ter isenções, para que os negócios possam avançar", disse Navarro no programa "State of the Union" da CNN.

Navarro não deu detalhes sobre o procedimento de isenção e a Casa Branca não retornou imediatamente a um pedido por comentários.

CAUTELA

O Brasil já trabalhava com esse cenário. Dois dias antes do anúncio, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, havia ouvido de Ross que haveria situações de exceção.

O Brasil está entre os países que mais podem ser afetados pela tarifa porque é o segundo maior exportador de aço para os EUA. Desde quinta, siderúrgicas brasileiras perderam R$ 1,97 bilhão em valor de mercado.

Jorge e representantes da indústria foram recebidos em Washington por Ross na última terça (27), em uma reunião de 40 minutos, longa para os padrões do americano.

Ouviram do secretário que uma eventual decisão de cobrança adicional de tarifas não seria horizontal, ou seja, que haveria possibilidade de recurso. Foram informados ainda de que estavam previstas situações de isenção.

O governo brasileiro vai aguardar o anúncio formal da cobrança adicional, esperado para esta semana, antes de ameaçar represálias ou recorrer a organismos como a OMC (Organização Mundial do Comércio).

A avaliação, segundo a Folha apurou, é que a melhor postura é o monitoramento da situação, para evitar acirrar os ânimos com os EUA em um momento em que não está claro o alcance da medida.

O governo brasileiro vem acompanhando as reações de Trump a posicionamentos como o da União Europeia. A avaliação é que um tom belicoso pode ser prejudicial.

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