UE estuda criar limites à importação de aço, com receio de invasão asiática

China diz quer intensificar comunicação com Europa após tarifas dos EUA

Símbolo do euro em Pequim, na China
Símbolo do euro em Pequim, na China - Alexander F. Yuan - 15.fev.2012/AP
Bruxelas | Reuters

A União Europeia deu início, nesta segunda-feira (26),  a um estudo para avaliar se as tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao aço justificam medidas para impedir que produtores asiáticos, predominantemente, inundem a Europa com o produto.

As tarifas de Trump, de 25% sobre aço e de 10% sobre alumínio, entraram em vigor na última sexta (23), embora a União Europeia e seis outros países, inclusive o Brasil, tenham garantido isenções temporárias.

A UE está preocupada com a possibilidade de os fabricantes de aço sujeitos às tarifas dos EUA desviarem seus produtos para a Europa, levando a um aumento das importações.

O estudo, com previsão de durar até nove meses, pode levar a UE a impor suas próprias cotas ou tarifas sobre o aço, incluindo aço inoxidável e tubos, para evitar danos à sua indústria.

As tarifas ou cotas teriam que se aplicar a todos os países, o que significa que os principais exportadores China, Índia, Rússia, Coreia do Sul e Turquia seriam atingidos.

O aço dos EUA representa menos de 1% das importações de aço da UE.

"A informação atualmente disponível à Comissão Europeia revelou que as importações de certos produtos siderúrgicos aumentaram acentuadamente recentemente, mostrando que há evidências suficientes de que essas tendências parecem exigir medidas de salvaguardas", disse a Comissão Europeia em um documento publicado no jornal oficial da UE nesta segunda.

O Ministério do Comércio da China disse estar disposto a fortalecer a coordenação com a União Europeia para lidar com o caos causado pelas tarifas dos EUA, acrescentando que medidas de proteção só piorariam a situação.

A Comissão Europeia afirmou que as importações totais de aço aumentaram para 29,3 milhões de toneladas em 2017, ante 17,8 milhões de toneladas em 2013, em grande parte devido ao excesso de capacidade global e às medidas adotadas por países terceiros para limitar o dumping.

Para alguns produtos, disse, a indústria está em uma condição frágil e vulnerável a novos aumentos nas importações, o que provavelmente deve ocorrer devido a medidas de defesa comercial, incluindo a recente imposição de tarifas pelos Estados Unidos.

A investigação examinará a situação dos produtos em questão, inclusive a situação de cada uma das categorias de produtos individualmente, também com base nos desenvolvimentos mais recentes, como qualquer desvio de comércio resultante das medidas dos EUA, de acordo com a Comissão.

A Comissão também deu aos interessados 21 dias para preencher questionários ou enviar informações para auxiliar na investigação.

A própria União Europeia tem até 1º de maio para garantir uma isenção permanente das tarifas norte-americanas para o aço e o alumínio.

A Europa diz que quer evitar uma guerra comercial, mas a Comissão Europeia propôs uma série de medidas caso a Casa Branca atinja produtores da UE, incluindo levar a questão para a OMC (Organização Mundial do Comércio) e impor taxas de importação sobre produtos tipicamente americanos, como suco de laranja, uísque bourbon e motos Harley-Davidson

COMUNICAÇÃO

O Ministério do Comércio chinês disse, nesta segunda, que o país está disposto a fortalecer a comunicação e a coordenação com a União Europeia para enfrentar a situação.

A China vai tomar medidas para salvaguardar os interesses das empresas chinesas, afirmou Wang Hejun, do ministério. Mas ele disse também que a adoção de medidas de proteção comercial não é a escolha correta e só vai piorar o caótico comércio internacional causado pela ação dos EUA.

O ministério disse na sexta que a China está planejando medidas contra até US$ 3 bilhões em importações dos EUA para compensar as tarifas americanas contra produtos chineses.

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