Descrição de chapéu greve dos caminhoneiros

Prejuízos no campo vão de falta de abate a debilidade física de animais

Leite, suínos e aves indicam ser os mais fragilizados com as paralisações

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

Animais com alimentação racionada, queda na produtividade e prejuízos à fisiologia de animais nas propriedades rurais. 

Esses são alguns dos reflexos no campo das paralisações promovidas pelos caminhoneiros no país desde o último dia 21, de acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira (29) pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. 

De acordo com o Cepea, leite, suínos e aves indicam ser os mais fragilizados com as paralisações nas rodovias, mas não são os únicos atingidos pelos protestos. Esses três setores já passavam, inclusive, por dificuldades antes do início das paralisações, no último dia 21. 

Para as aves, a produtividade deve ser reduzida devido ao racionamento praticado por muitos produtores, assim como o setor de suínos. Ambos também enfrentam problemas nos frigoríficos, que reduziram ou suspenderam totalmente os abates. 

A Folha publicou nesta terça que a recuperação no campo pode demorar até seis meses. 

O leite está com atividades limitadas ou suspensas em São Paulo. Segundo o Cepea, nas propriedades rurais a dieta dos animais está restrita ou ausente, devido à escassez de insumos, o que pode comprometer o pico de lactação e gerar queda na produtividade. 

Ainda de acordo com o estudo, a expectativa é que as vacas só retomem o funcionamento fisiológico normal em um ano. 

Produtores de hortifrútis também tiveram prejuízos com as cargas que se perderam nas rodovias durante a paralisação, mas há risco também no campo –caso das hortaliças que, se não forem colhidas nos próximos dias, poderão se perder. 

Já o setor de grãos viu as negociações inviabilizadas durante os protestos dos caminhoneiros nas rodovias. Com medo de não conseguir entregar as cargas, produtores não têm ofertado lotes, segundo o Cepea. 

A colheita de café também tem sido prejudicada com as paralisações, pois falta combustível para o maquinário e funcionários não têm ido trabalhar. O setor sucroenergético e as vendas de mandioca e ovos também sofreram abalos.

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