Presidente da Eletrobras diz estar 'bastante otimista' com chances de privatização

A privatização é a principal bandeira econômica do governo Temer e enfrenta grande resistência

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior - REUTERS
Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse nesta quarta (16) que está "bastante otimista" com a possibilidade de avanço no processo de privatização da estatal ainda este ano, considerado hoje a principal bandeira econômica do governo Temer e que enfrenta grande resistência

Segundo ele, os próximos dois meses serão "fundamentais" para companhia no campo político, tanto na aprovação de MP que sustenta a venda de distribuidoras de energia quanto do projeto de lei que dá as bases para a oferta de ações da estatal ao mercado.

Ferreira disse acreditar que o Congresso aprove ainda em junho a MP 814, que destrava a venda das distribuidoras e pode ajudar a resolver a retomada das obras de Angra 3 - projeto para o qual a Eletrobras já provisionou perdas de R$ 12 bilhões. 

Disse ainda esperar que em 75 dias possa ser aprovado o projeto de lei que sustenta a operação de venda de ações da estatal. A proposta do governo é oferecer ações ao mercado e diluir a participação da União para menos de 50% das ações. Ele espera que o leilão seja realizado entre novembro e dezembro. 

Na próxima semana, a empresa apresentará a seu conselho proposta de valores mínimos para a venda de 17 lotes de ativos de geração e transmissão, que são parte do plano de desinvestimento da companhia. O leilão está marcado para 29 de junho.

São 70 participações em ativos, que somam capacidade de geração de 977 megawatts (MW) e 1.004 quilômetros de linhas de transmissão. Serão divididos em oito lotes de geração e nove de transmissão. O valor dos ativos no balanço da Eletrobras é de R$ 2,5 bilhões.

Com os recursos, a Eletrobras pretende reduzir seu endividamento, que somava R$ 18,6 bilhões ao fim do primeiro trimestre.

DISTRIBUIDORAS

Na teleconferência Ferreira Junior ressaltou que os negócios de geração e transmissão da Eletrobras deram lucro de R$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre, enquanto a distribuição deu prejuízo de R$ 1,9 bilhão. A companhia fechou o período do lucro líquido de R$ 56 milhões, 96% a menos do que o mesmo período do ano anterior.

"Essa é a companhia que a gente está formatando para o evento da capitalização", disse ele, frisando que o foco se manterá em geração e transmissão.

O leilão das distribuidoras depende ainda de aval do TCU (Tribunal de Contas da União). Estavam agendados para o fim de maio, mas a expectativa agora é que sejam realizados em junho. A Eletrobras queria vender os projetos em 2017, alegando que vem tendo sucessivos prejuízos no segmento.

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