Tarifas da Europa a produtos americanos entram em vigor nesta sexta

UE aprovou sobretaxa de 25% a itens como uísque, jeans e motos em retaliação a tarifas de Trump

Comissionária da UE, Cecilia Malmstrom, em evento em Pequim
Comissionária da UE, Cecilia Malmstrom, em evento em Pequim; China e Europa entraram na mira de Trump - Ng Han Guan/Associated Press
Bruxelas | Reuters

A União Europeia vai começar a cobrar tarifas de importação de 25% sobre uma série de produtos americanos a partir desta sexta-feira (22), depois que Washington impôs sobretaxas para aço e alumínio do bloco no início de junho, disse a Comissão Europeia nesta quarta-feira (20).

A medida confirma a disputa que pode se transformar em uma guerra comercial em larga escala, especialmente se o presidente dos Estados Unidos,   Donald Trump, cumprir sua ameaça de taxar carros europeus.  

A Comissão adotou formalmente a medida que estabelece as tarifas sobre € 2,8 bilhões (R$ 12,2 bilhões) em mercadorias dos EUA, incluindo uísque, jeans, motos Harley Davidson e suco de laranja. Os 28 países do bloco aprovaram a retaliação por unanimidade.  

A decisão engrossa o protesto contra a recente política comercial de Trump, chamada de “puro protecionismo” por representantes europeus e “um insulto” pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

"Não queremos estar nesta posição", disse a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmstrom, em um comunicado, acrescentando que a decisão "unilateral e injustificada" dos EUA deixou a UE sem escolha. 

Ela classificou a resposta da UE como proporcional e de acordo com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), e disse que as taxas serão retiradas se Washington remover suas tarifas sobre metais. As exportações de aço e alumínio da UE que agora têm tarifas dos EUA totalizam € 6,4 bilhões (R$ 27,8 bilhões).

As tarifas europeias irão se somar às já anunciadas retaliações do México e do Canadá. O Canadá anunciou que irá impor tarifas retaliatórias sobre US$ 12,5 bilhões (R$ 46,9 bilhões) em exportações dos EUA em 1º de julho. O México colocou tarifas sobre produtos americanos que vão desde o aço até a carne suína há duas semanas. 

O imbróglio teve início em março, quando o governo Trump decidiu impor alíquotas de 25% e 10% sobre o aço e o alumínio importados da União Europeia, Canadá, México, Japão e outros países —incluindo o Brasil— alegando segurança nacional, a fim de proteger a indústria siderúrgica americana.

O republicano tem se queixado de que os EUA acumulam déficits comerciais com a maior parte dos países e que é preciso revertê-los para proteger empregos e indústrias locais.

Os ânimos se acirraram também entre Estados Unidos e China.

Trump ameaçou nesta segunda (18) impor uma tarifa de 10% sobre US$ 200 bilhões (R$ 751,2 bilhões) em produtos chineses, aumentando a disputa na guerra comercial com Pequim.

Ele afirmou que a medida seria uma retaliação à decisão da China de aumentar tarifas sobre US$ 50 bilhões (R$ 187,8 bilhões) em produtos americanos. 

Na semana passada os EUA estabeleceram sobretaxas de 25% a 818 produtos chineses como telas do tipo touchscreen, baterias, aeronaves, navios, motores de carros, radares, equipamentos de diagnóstico médico e máquinas agrícolas, entre outros.

Os EUA acusam a China de roubo de propriedade intelectual, por meio de acordos com empresas de tecnologia americanas que exigem a transferência de conhecimento para estatais do país.

Em resposta, Pequim anunciou, horas depois, tarifas retaliatórias de 25% a outros 659 produtos americanos, acusando os EUA de adotarem um "comportamento míope".

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