Restrições logísticas dificultam venda de fatia da União no pré-sal, diz PPSA

Segundo governo, contrato pode render até R$ 1 bilhão até o fim de 2018

Rio de Janeiro

Após um leilão fracassado no fim de maio, a estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) trabalha para tentar novamente vender a parcela da União na produção do pré-sal entre o fim de agosto e o início de setembro.

O presidente da companhia, Ibsen Flores, admite, porém, que questões logísticas restringem o número de interessados. A PPSA oferece um contrato de um ano para a retirada de petróleo dos campos de Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos.


O MME (Ministério de Minas e Energia) estima que o contrato pode render ao governo R$ 1 bilhão até o fim de 2018. A União tem direito a parcela da produção nos dois campos porque parte das reservas se estende para fora das áreas de concessão.


No primeiro leilão, porém, apenas a anglo-holandesa Shell demonstrou interesse. No dia da concorrência, a empresa não fez ofertas.


Em caso de disputa, venceria a concorrente que apresentasse o maior ágio em relação a preços de referência definidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gas e Biocombustíveis) para a produção de cada campo.


Em entrevista nesta quinta (5), Flores disse que o momento político pode ter atrapalhado, já que a regulamentação da venda de petróleo pela PPSA ainda era garantida por Medida Provisória —lei sobre o tema só foi aprovada no fim de junho.


Mas ele avalia que, mesmo agora, o número de possíveis interessados está limitado por questões logísticas.


Por razões de segurança, a retirada do óleo das plataformas é feita apenas por navios com tecnologia de posicionamento dinâmico, que mantém suas posições com auxílio de GPS.


No Brasil, apenas os parceiros da Petrobras no pré-sal operam navios do tipo. Com eles, tiram o óleo da plataforma e o transferem para grandes petroleiros, que transportam a produção para o exterior.


Flores diz que pode não ser viável manter a operação de navios de posicionamento dinâmico no país para operar pequenos volumes de petróleo, o que dificulta a atração de outros potenciais compradores para o óleo da União.


Os volumes de óleo da União crescerão nos próximos meses, com o aumento das atividades no campo de Mero, projeto no qual a União tem direito a 41,65% da produção após o desconto dos custos.


A PPSA foi criada pela lei que alterou as regras para o pré-sal, de 2010, garantindo à União parte da produção dos novos contratos. Sua função é representar o governo nos consórcios e vender sua parcela no óleo produzido.


Até agora, a PPSA realizou apenas uma operação de venda de petróleo, em negociação direta com a Petrobras, envolvendo 500 mil barris. Em junho fechou também com a estatal contrato para a venda de 230 mil metros cúbicos por dia de gás de Lula e Sapinhoá.


Em seu relatório de atividades de 2016, a empresa afirmou que a União já tinha direito, no fim do ano, a 11,6 milhões de barris dos campos do pré-sal - volume que valeria cerca de US$ 900 milhões (R$ 3,5 bilhões, pelas cotações atuais).


O relatório de 2017 ainda não foi publicado.

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