'Fomos escolhidos por Deus', diz presidente de nova distribuidora de energia de RR

Grupo Oliveira Energia foi o único a fazer oferta e não ofereceu nenhum desconto na conta de luz

Taís Hirata
São Paulo

O grupo Oliveira Energia venceu, nesta quinta (30), o leilão da distribuidora da Eletrobras em Roraima, a Boa Vista Energia. 

Após a vitória, o presidente do grupo, Orsine Oliveira, disse que foram escolhidos por Deus. 

"Trabalhamos longamente no projeto, somos conhecedores da região. Fomos escolhidos por Deus. Nós somos crentes de Deus, nossa missão é levar qualidade de energia para o povo de Roraima", disse. 

O grupo foi o único a fazer oferta pela companhia, e fez o lance mínimo, ou seja, não ofereceu nenhum desconto na conta de luz do estado. 

O grupo Oliveira vem do estado de Amazonas e atua principalmente na geração de sistemas isolados (aqueles não interligados ao sistema nacional por meio de linhas de transmissão), ou seja, com usinas térmicas. 

O ministro das Minas e Energia, Moreira Franco (segundo a partir da direita) no leilão de distribuidoras da Eletrobras na B3, no centro de São Paulo - Reinaldo Canato/Folhapress

Questionado sobre a inexperiência da empresa no segmento de distribuição, Oliveira diz que "distribuição não é coisa de outro mundo" e que vão "aprender bem rápido", com a contratação de equipe especializada. 

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, também afirmou que a transferência da distribuidora ocorrerá sob a supervisão do órgão regulador.

"Caberá à Aneel fazer a anuência. Vamos promover a verificação item a item se está dentro das normas da agência", disse. 

O estado de Roraima é o único do país que ainda não está ligado ao sistema nacional. A região depende em grande parte da energia importada da Venezuela, o que tem gerado risco ao abastecimento: além dos constantes apagões, há um problema operacional que vem travando o pagamento da energia importada.

Além da energia comprada do país vizinho, o estado também conta com um parque de termelétricas, que tem combustível suficiente para garantir por ao menos 15 dias o abastecimento do estado, em caso de emergência. 

Hoje, o braço de geração do grupo Oliveira já detém 80% desse parque que abastece Boa Vista, a capital do estado.

Oliveira disse que, em meio ao clima de incerteza provocado pela crise da Venezuela, a empresa tem feito investimentos para ampliar a capacidade de geração --mas destaca que se tratam de companhias diferentes, embora pertencentes ao mesmo grupo. 

O interesse do grupo por entrar no setor de distribuição ocorre em meio ao planejamento do governo de construir uma linha de transmissão para interligar Roraima ao sistema nacional —ou seja, as usinas térmicas perderão relevância. 

Para Oliveira, há uma perspectiva de que a linha possa ser construída em três ou quatro anos, embora haja incerteza devido ao difícil licenciamento ambiental. 

"Sempre temos que pensar no futuro, essa é a diferença do empresário e do governo."

O presidente diz que os investimentos iniciais são feitos com recursos próprios. A empresa terá que fazer um aporte de R$ 176 milhões nos primeiros meses de operação, segundo as regras do edital do leilão. 

Além disso, a companhia planeja investir em um programa de redução de perdas de energia da rede. O valor não foi revelado.

Oliveira disse que, em meio ao clima de incerteza provocado pela crise da Venezuela, a empresa quer aumentar o parque gerador do estado.

O interesse do grupo por entrar no setor de distribuição ocorre em meio ao planejamento do governo de construir uma linha de transmissão para interligar Roraima ao sistema nacional —ou seja, as usinas térmicas perderão relevância. 

Para Oliveira, há uma perspectiva de que a linha possa ser construída em três ou quatro anos, embora haja incerteza devido ao difícil licenciamento ambiental. 

"Sempre temos que pensar no futuro, essa é a diferença do empresário e do governo."

O presidente diz que os investimentos iniciais são feitos com recursos próprios. A empresa terá que fazer um aporte de R$ 176 milhões nos primeiros meses de operação, segundo as regras do edital do leilão. 

Além disso, a companhia planeja investir em um programa de redução de perdas de energia da rede. O valor não foi revelado.

A distribuidora de Roraima era considerada uma das mais difíceis de serem arrematadas, justamente por não estar interligada ao sistema elétrico brasileiro e sua geração depender de importações da Venezuela.

O grupo também é apontado como um dos interessados pela Amazonas Energia, distribuidora da Eletrobras com situação financeira mais grave, que deverá ser leiloada em 26 de setembro.

Perguntado sobre seu interesse na Amazonas Energia, Orsine disse que o tema está em análise. “Estamos sempre esperando na parada do ônibus, se o ônibus passar...”, disse.

A ​Eletrobras vendeu mais outras duas distribuidoras nesta quinta-feira (30), em um leilão que foi realizado na sede da B3, em São Paulo. A Eletroacre (AC) e a Ceron (RO) foram vendidas para a Energisa. 

A empresa vencedora da Ceron e Eletroacre ofereceu desconto na conta de luz dos consumidores de 1,75% e 3,27%, respectivamente.

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