Eletrobras vende três distribuidoras no Norte do país

Energisa levou empresas em AC e RO; grupo Oliveira venceu disputa por RR

Taís Hirata
São Paulo

A Eletrobras conseguiu vender mais três de suas distribuidoras nesta quinta-feira (30), em um leilão realizado na sede da B3, em São Paulo.

Em disputas sem competição, a Energisa arrematou duas das empresas: a Eletroacre (AC) e a Ceron (RO). Foram oferecidos descontos à conta de luz dos estados de 3,27% e 1,75%, respectivamente. 

A terceira distribuidora, a Boa Vista Energia, de Roraima, foi vendida para a Oliveira Energia, empresa do Amazonas que tranalha com geração de sistemas isolados (geração termelétrica). A empresa venceu pelo lance mínimo e não ofereceu desconto na tarifa.

O ministro das Minas e Energia, Moreira Franco (segundo a partir da direita) no leilão de distribuidoras da Eletrobras na B3, no centro de São Paulo - Reinaldo Canato/Folhapress

O preço de venda foi de R$ 50 mil por empresa —valor simbólico pago à Eletrobras.

Os vencedores serão obrigados a investir, juntas, R$ 668 milhões logo nos primeiros meses de operação. Outro R$ 1,5 bilhão terá de ser aplicado nos próximos cinco anos.

O resultado foi comemorado pelo governo federal e pela Eletrobras —que, com a venda, vai transferir um passivo total de R$ 3,1 bilhões, referentes a dívidas que vencem no curto prazo.

As três empresas juntas acumularam um prejuízo de R$ 2,9 bilhões entre 2012 e 2016, segundo relatório do BNDES, responsável pelo processo de venda. 

"Somos um operador privado que faz distribuição desde sua fundação. Rondônia e Acre são dois estados que crescem muito", afirmou o presidente da companhia, Ricardo Botelho. 

A Energisa tem 13 distribuidoras, que atuam em nove estados do país: Paraíba, Sergipe, Minas Gerias, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Paraná e São Paulo. 

"Todas as oportunidades que nós tivermos de sinergia, vamos usar. Estamos colados na fronteira do Mato Grosso. E também vamos tentar sinergia entre Acre e Rondônia. A ideia era fazer um combo", disse Botelho.

Os lances, porém, ficaram bastante abaixo da oferta que a Equatorial fez pela Cepisa, do Piauí, no leilão realizado em julho deste ano.

Nesse certame, a Equatorial ofereceu um desconto de 8,5% na conta de luz dos consumidores e ainda pagou uma outorga de R$ 95 milhões ao Tesouro Nacional. 

Já no leilão desta quinta, os resultados foram mais modestos --o que já era esperado, considerando a localização e a situação financeira das empresas. 

O leilão foi classificado como um "sucesso do sucesso" pelo diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, que afirmou que, com a venda, os investimentos na rede das distribuidoras poderão ser retomados. 

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, também destacou a importância da venda para "reestabelecer a capacidade financeira" da estatal elétrica.  

Para Gustavo de Marchi, sócio do Décio Freire & Associados, o resultado foi positivo, considerando as dificuldades encontradas para conseguir leiloar as empresas, e o deságio "significativo" obtido no caso da Ceron e da Eletroacre. 

PRÓXIMOS LEILÕES

Além dessas distribuidoras, a Eletrobras tenta vender outras duas: a Amazonas Energia e a Ceal (Alagoas). 

No caso da empresa do Amazonas, que inicialmente seria ofertada junto com as demais companhias do Norte, o leilão foi adiado para 26 de setembro.

O atraso ocorreu porque sua  venda ainda enfrenta dificuldades, principalmente a aprovação de um projeto de lei que transfere uma dívida bilionária das distribuidoras à conta de luz do consumidor. 

O governo avaliou que, no caso das demais empresas, os passivos não seriam tão problemáticos quanto para a Amazonas, que tem a maior dívida. Segundo analistas do setor elétrico, sem a aprovação desse projeto de lei, dificilmente a companhia atrairá investidores e poderá ser liquidada. 

Já a venda da Ceal está tratava por conta de uma disputa com o governo alagoano, que conseguiu uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar a venda enquanto as negociações não fossem concluídas. 

A Energisa já avisou que não tem interesse na Amazonas e que aguarda uma resolução do imbróglio judicial em torno da empresa alagoana, segundo o presidente Ricardo Botelho. 

O grupo Oliveira, que já havia sido apontado como um possível interessado na distribuidora do Amazonas, estado de origem da empresa, não confirmou o interesse. “Estamos sempre esperando na parada do ônibus, se o ônibus passar...", disse.

Com Reuters

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