Trump anuncia sobretaxa a mais US$ 200 bi de produtos importados da China

Medida deixa de lado os relógios inteligentes da Apple e do Fitbit e cadeirinhas infantis

Júlia Zaremba
Washington

 Em mais um capítulo da guerra comercial, o presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (17) que vai sobretaxar mais US$ 200 bilhões (R$ 830 bilhões) em importações chinesas.

A diferença em relação às sobretaxas anteriores é que a nova medida irá afetar consumidores diretamente e bem às vésperas da temporada de compras de fim de ano.

A medida entra em vigor em 24 de setembro. A tarifa será de 10% até 1º de janeiro, quando aumentará para 25%.

O escalonamento busca dar tempo para que as empresas possam ajustar as suas cadeias de fornecimento em outros países, disse uma autoridade do governo.

A lista do USTR (Departamento de Comércio dos Estados Unidos) inclui desde frutos do mar até produtos eletrônicos, móveis e materiais de construção.

O escritório do representante de Comércio eliminou cerca de 300 categorias de produtos da lista de tarifas, com subconjuntos de outras categorias, mas autoridades do governo disseram que o valor total da lista revisada ainda seria de cerca de US$ 200 bilhões.
 

Donald Trump durante discurso nesta segunda-feira (18) na Casa Branca, em Washington - Alex Brandon/Associated Press

Entre os isentos estão relógios inteligentes da Apple e do Fitbit, capacetes para ciclistas e cadeirinhas infantis para automóveis.

Também foram poupados das tarifas os insumos chineses para os produtos químicos produzidos nos EUA usados na manufatura, em têxteis e na agricultura.

Os ajustes tentam apaziguar os grupos de tecnologia e varejo que argumentavam que as tarifas afetariam duramente os consumidores.

Ainda assim, a adoção da sobretaxa foi contestada no setor empresarial.

“A decisão do presidente Trump de impor mais US$ 200 bilhões é imprudente e causará danos duradouros às comunidades em todo o país”, disse Dean Garfield, presidente do Information Technology Industry Council, que representa as principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Trump acusa a China de usar práticas injustas relacionadas à tecnologia e à propriedade intelectual americanas.

Segundo ele, elas “constituem uma grave ameaça para a saúde e a prosperidade em longo prazo da economia dos Estados Unidos”.

O republicano afirmou que, caso haja retaliação por parte de Pequim, os Estados Unidos vão “buscar imediatamente a fase 3”: impor imediatamente tarifas sobre US$ 267 bilhões (mais de 1 trilhão) em importações chinesas, o que significaria impor tarifas sobre praticamente tudo o que o país asiático exporta para os EUA.

“Mais uma vez, eu peço aos líderes da China que tomem ações rápidas para acabar com as práticas comerciais injustas de seu país”, afirmou, em comunicado.

O governo americano já impôs taxas de 25% sobre US$ 50 bilhões (mais de R$ 209 bilhões) em importações da China. O país asiático retaliou com tarifas equivalentes.

Antes da divulgação das novas tarifas, Trump havia afirmado que o governo anunciaria uma notícia que traria “muito dinheiro para os cofres dos Estados Unidos” e que “funcionaria muito bem com a China”.

Disse também que tem “muito respeito” pelo presidente Xi Jinping e espera que possam negociar um fim para o impasse em que se encontram, mas que os EUA perderam bilhões em déficit com a China. “Não podemos mais fazer isso”, disse.

Na sexta-feira (14), reportagem da Bloomberg antecipou que Trump orientara assessores a seguirem em frente com as tarifas, apesar das tentativas do secretário de Tesouro americano, Steven Mnuchin, de promover conversas com Pequim para resolver a guerra comercial. Os encontros ainda não tiveram resultados positivos.

O Departamento do Tesouro americano convidou na semana passada autoridades chinesas, incluindo o principal conselheiro econômico de Xi Jinping, Liu He, para novas conversas, mas nada foi anunciado por enquanto.

Naquela semana, Trump escreveu em uma rede social que os Estados Unidos não estavam “sob pressão para fazer um acordo com a China”: “Eles que estão sob pressão para fazer um acordo conosco. Nossos mercados estão crescendo e os deles, colapsando”.

Um funcionário de alto escalão do governo Trump disse que os EUA estão abertos a negociações com Pequim, mas não deu detalhes.

“Este não é um esforço para restringir a China, mas para trabalhar com a China e dizer: é hora de abordar essas práticas comerciais injustas que identificamos e que prejudicam todo o sistema de comércio”, disse ele.

A China prometeu retaliar ainda mais as novas tarifas dos EUA, com a mídia estatal defendendo um contra-ataque agressivo.

O yuan da China caiu cerca de 6% em relação ao dólar desde meados de junho.

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