Descrição de chapéu Eleições 2018

Em reunião com Bolsonaro, empresários fazem críticas à abertura comercial

Industriais reclamam dos custos de se produzir no Brasil em encontro na casa do candidato

Talita Fernandes Mariana Carneiro
Brasília e Rio de Janeiro

Empresários e representantes do setor industrial levaram ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) críticas à proposta de abertura da economia em elaboração por seus aliados.

Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto na eleição do próximo domingo (28). 

O candidato se reuniu com representantes industriais nesta segunda-feira (22), no Rio, em encontro agendado pelo deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O assessor econômico do candidato, Paulo Guedes, não participou.

Os industriais reclamaram dos custos de se produzir no Brasil e com o que consideram efeitos negativos de uma abertura unilateral a importados, como estudado pela equipe econômica do candidato.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), os empresários disseram que o custo Brasil responde por 30% do preço dos produtos fabricados no país, o que retira a capacidade de competir. 

 
 

Com isso, o Brasil exporta menos produtos industriais do que no passado e suas vendas estão cada vez mais focadas em países da América do Sul. O problema é que a crise de um, como a da Argentina, tem potencial de abalar toda a indústria brasileira e gerar desemprego.

"[Nossa proposta] seria uma volta ao passado, quando o Brasil tinha uma participação elevada no mercado internacional e os manufaturados tinham peso importante da pauta exportadora, hoje dominada por commodities", disse Castro à Folha.

O presidente da AEB afirmou que os empresários argumentaram que a abertura pretendida poderia afetar a negociação com a União Europeia.  

"Não somos contra liberar [a entrada de importados], mas temos negociações com outros países. Como você negocia com alguém e depois, unilateralmente, concede a liberação tarifária? Desmoraliza qualquer negociação com o Brasil. No futuro, se a gente reduzir custo, pode abrir às importações", afirmou. "Não adianta abrir, a gente tem custo e o importado não tem, assim é concorrência desleal".

Segundo Castro, os industriais não chegaram a entrar em detalhes sobre a proposta de Bolsonaro de unir os ministérios da Fazenda e Indústria e Comércio Exterior, mas indicou que esta será uma das prioridades do grupo caso o candidato seja eleito.

O setor produtivo teme que o comércio exterior e a política industrial acabe sendo tratada a "tira-colo" da política econômica. 

"É claro que a gente gostaria de um ministério forte e que o comércio exterior fosse forte. Não adianta tratar o assunto como de segunda categoria, se não perde força e nós precisamos justamente abrir novos mercados", disse. 

O encontro foi realizado na casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Além de Castro, estiveram na reunião: Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim (indústria química), José Velloso Dias Cardoso, presidente da Abimaq (máquinas e equipamentos), Antonio Sérgio Martins Mello, vice-presidente da Anfavea (automóveis), Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Fernando Pimentel, presidente executivo da Abit (têxteis) e José Carlos Martins, presidente da Cbic (construção).

"O objetivo da nossa vinda aqui, nós abrimos um diálogo dentro da preocupação que existe do setor que existe com temas considerados como prioritários, fundamentais, que tem como objetivo principal, que é o desejo do candidato Jair Bolsonaro, que é o crescimento do país, geração de emprego, geração do bem-estar", afirmou Marco Polo.

"As discussões referentes à abertura da economia, que nós concordamos, mas achamos que ela tem que ser feita de uma maneira gradativa de forma a poder ter uma troca com países que nós vamos negociar e ao mesmo tempo uma correção das nossas assimetrias competitivas", afirmou.

Marco Polo negou que eles tenham tocado no assunto da desoneração da folha de pagamentos, apontando por economistas como algo a ser revertido no próximo ano para redução do deficit. 

Depois de industriais, Bolsonaro se reuniu também com representantes do setor de energia.

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