Após vitória nas urnas, Paulo Guedes reforça medidas econômicas defendidas na campanha

Futuro ministro reforça importância das reformas previdência e tributária; Mercosul, no entanto, não será prioridade

Talita Fernandes
Brasília

Anunciado ministro da Economia por Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes afirmou na noite deste domingo (28) que é “factível” zerar o deficit já no primeiro ano de governo.

O Orçamento de 2019 prevê um déficit de R$ 139 bilhões nas contas públicas. 

O plano de governo do capitão reformado prevê que o país volte a ter, no segundo ano de mandato, superávit primário (quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar o gasto com juros). A última vez que o Brasil registrou superávit foi em 2013, sob Dilma Rousseff.

Guedes destacou que, no governo Bolsonaro, “o primeiro grande item é a Previdência. Precisamos de uma reforma”, que faz parte do ataque aos privilégios.

“Vamos ter que reduzir privilégios e desperdícios. Esse é o foco do programa econômico. Também vamos fazer os marcos regulatórios na área de infraestrutura porque o Brasil precisa de investimentos em infraestrutura. O custo Brasil é alto por falta de segurança jurídica, de marco regulatório adequado”, disse.

Paulo Guedes, futuro ministro da economia de Bolsonaro
Paulo Guedes, futuro ministro da economia de Bolsonaro - Daniel Ramalho/AFP

O economista também tratou da questão tributária. “Vamos simplificar e reduzir impostos, eliminar encargos e impostos trabalhistas sobre a folha de pagamentos para gerar em dois, três anos 10 milhões de empregos novos.”

Voltou, ainda, a defender as privatizações. "Vamos acelerar as privatizações, porque não é razoável o Brasil gastar 100 milhões de dólares por ano em juros da dívida. O Brasil reconstrói uma Europa todo ano, o Plano Marshal, que tirou a Europa da miséria do pós-guerra, o Brasil reconstrói uma Europa por ano sem conseguir sair da miséria, então a política é errada."

Guedes, porém, afirmou que vai rever a política comercial brasileira e que o Mercosul não será prioridade. O economista criticou o bloco, que classificou como ideológico, e disse que as relações comerciais são restritas a países “bolivarianos”.

“O Brasil ficou prisioneiro de alianças ideológicas, e isso é ruim para a economia”, disse. “Não seremos prisioneiros de relações ideológicas. Nós faremos comércio com o mundo todo.”

Guedes mostrou-se irritado com questionamentos sobre o Mercosul. Ele classificou de “malfeita” pergunta de uma repórter do jornal argentino Clarín, sobre a hipótese de rompimento com o bloco.

“De novo, pergunta malfeita. A pergunta é a seguinte: eu só vou comercializar com Venezuelana, Bolívia e Argentina? Não”, disse, em referência equivocada sobre os países que compõem o Mercosul.

O bloco é, na verdade, formado por Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela, estando o último suspenso desde dezembro de 2016.

O economista, que deu início à entrevista sentado em uma poltrona de um hotel na Barra, levantou-se e disse que mudaria de assunto.

“Mercosul não é prioridade. Tá certo? É isso que você queria ouvir?”, perguntou em tom agressivo à repórter do jornal argentino.

“Você está vendo que tem um estilo que combina com o do presidente [Bolsonaro], né? Que a gente fala a verdade. A gente não está preocupado em te agradar”, falou à jornalista, acrescentando que “conhece o estilo” [das perguntas].

Demonstrando impaciência, Guedes negou ser agressivo e perguntou por que a repórter insistia em fazer questionamentos sobre a relação comercial com a Argentina e com o Mercosul.

Ela então esclareceu que trabalhava para o principal veículo de comunicação do país vizinho.

Antes mesmo do início da campanha, Guedes foi anunciado como ministro da Economia por Bolsonaro.

De acordo com programa de governo do candidato eleito, a pasta vai abarcar a estrutura do que hoje são três ministérios: Fazenda, Planejamento e Indústria e Comercio Exterior.

Pressionado por empresários, Bolsonaro já recuou da proposta de fundir Comércio Exterior com Fazenda, o que desagrada ao futuro ministro.
 

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