Governo prorroga consulta e leilão regional de térmica fica para 2019

Presidente da EPE defende a realização do leilão, que é criticado por técnicos do governo

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Motivo de um racha no setor elétrico brasileiro, a decisão sobre leilões regionais de energia térmica ficará para o governo Jair Bolsonaro. Segundo o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Reive Barros, o cronograma não permite a realização da oferta ainda este ano.

O leilão é hoje tema de consulta pública no MME (Ministério de Minas e Energia), cujo prazo foi prorrogado na semana passada para terminar no próximo dia 22. Após a consulta, ainda há etapas técnicas a cumprir na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), disse Barros.

O presidente da EPE defende a realização do leilão, que é criticado por grandes consumidores de energia e técnicos do governo. Na semana passada, o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Eduardo Barata, por exemplo, afirmou que os estudos sobre o tema são “insuficientes”.

“A visão da EPE é totalmente diferente da visão do Barata, que não é a visão do ONS”, afirmou Barros, reforçando a percepção de que há divergências dentro do órgão responsável pela operação da rede elétrica nacional.

“Talvez ele [Barata] não esteja pensando com a cabeça do operador. Talvez ele esteja pensando com a cabeça da CCEE [Câmara Comercializadora de Energia Elétrica, órgão que o executivo dirigiu antes de assumir o ONS]”, comentou.

Barros defende que, com o crescimento da produção de energia eólica e solar, a região nordeste precisará de 13,6 mil MW (megawatts) até 2027 para garantir a inércia da rede, já que as fontes renováveis são intermitentes.

Disse ainda que o leilão de térmicas substituirá por gás natural capacidade que hoje opera a óleo combustível ou diesel, combustíveis mais caros.

“Estamos trazendo solução mais limpa, que da segurança energética, que fica mais próxima da carga [do consumo] e ainda aparecem argumentos contrários?”, questionou o presidente da EPE, em entrevista durante evento promovido pela autarquia no Rio.

Antes da entrevista, ele teve uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, também defensor do leilão, que participou da abertura do evento.

TRANSIÇÃO

Barros disse que ainda não foi procurado pela equipe de transição de Bolsonaro e que não acredita em extinção da EPE pelo próximo governo, que uma anunciou planos para reduzir o número de estatais. Ele defendeu a manutenção da estrutura atual do setor elétrico como garantia para atrair investimentos.

“A EPE é uma empresa de Estado. É a credibilidade do ambiente regulatório, é a credibilidade do planejamento, é a credibilidade do desenho institucional que está trazendo investidores para o país”, argumentou. “Acho que o novo governo tem que ter um cuidado muito grande com o setor.”

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