Dona da Ambev quer fazer bebidas a base de maconha no Canadá

Neste ano, a Constellation Brands, dona da Corona, já havia investido em empresa de cânabis

A AB InBev, maior fabricante mundial de cerveja, está formando uma parceria com a Tilray, empresa canadense de maconha, para pesquisar bebidas contendo cânabis, no mais recente sinal de que os grandes fabricantes mundiais de bens de consumo estão desenvolvendo interesse pela droga.

O envolvimento da fabricante de bebidas que controla a cerveja Budweiser com a maconha recreativa propicia ainda mais legitimidade a um setor econômico que antes era dominado por cartéis de drogas. O Canadá se tornou o maior país a legalizar completamente o uso recreativo da maconha, em outubro, e diversos estados dos Estados Unidos, entre os quais a Califórnia, fizeram mudanças semelhantes em suas leis.

Sob a mais recente parceria, que se restringirá ao Canadá, a AB InBev trabalhará em uma joint venture com a Tilray em London, província de Ontário. Cada companhia investirá US$ 50 milhões para pesquisar maneiras de levar ao mercado bebidas recreativas contendo maconha, avaliando fatores como sabores e a duração do barato.

Em entrevista, Brendan Kennedy, presidente-executivo das Tilray, disse que "estamos no meio de uma mudança de paradigma mundial. Vimos todo um setor se desenvolver e realmente se transformar, realizando a transição de um estado de proibição para o estado de legalização".

A legalização da maconha está "desordenando" diversos setores, entre os quais o farmacêutico e o de bebidas alcoólicas, ele acrescentou. Há provas de que "a maconha em certas situações serve como substituto das bebidas alcoólicas".

"Não sabemos que dimensões isso vai tomar, mas o que está acontecendo é que estamos vendo um setor emergindo rapidamente —em um período em que não existe muito espaço para crescimento nos mercados mundiais".

A parceria entre a Tilray e a AB InBev vem se somar a uma parceria anunciada no começo da semana pelo grupo canadense com o grupo farmacêutico Novartis, para o desenvolvimento de maconha medicinal. As ações da empresa, que abriu seu capital este ano, subiram em 17%, para US$ 82,80, em transações posteriores ao fechamento dos mercados, na quarta-feira. Na oferta inicial, as ações da empresa foram avaliadas em US$ 17.

Este mês a Altria, fabricante do cigarro Marlboro, fechou acordo para adquirir uma participação acionária na Cronos, outra companhia canadense de maconha, por 2,4 bilhões de dólares canadenses. Alguns meses atrás, a Constellation Brands, rival da AB InBev, injetou quase US$ 4 bilhões na Canopy Growth, ainda outra companhia canadense de maconha, em maio, a Aurora Cannabis adquiriu o grupo de maconha medicinal MedReleaf por US$ 2 bilhões.

O envolvimento da AB InBev acontecerá por meio de sua subsidiária Labatt Breweries.

Kyle Norrington, presidente da Labatt Breweries, declarou em comunicado que "pretendemos desenvolver uma compreensão mais profunda... que oriente futuras decisões sobre potenciais atividades comerciais".

A Tilray conquistou um lugar nos livros de história, este ano, como primeira empresa de maconha a abrir seu capital nos Estados Unidos. Ela tem ações cotadas na bolsa Nasdaq desde julho.

As bolsas dos Estados Unidos podem oferecer ações das companhias desde que suas operações sejam legais nas jurisdições em que operam.

Em um sinal do crescente interesse dos investidores pelo setor este ano, o avanço de mais de 400% na cotação das ações da Tilray desde sua abertura de capital faz dela a melhor oferta pública inicial realizada nos Estados Unidos em 2018, de acordo com a Dealogic. Os preços das ações da companhia sofrem de volatilidade, porém.

Quanto à parceria com a AB InBev nas bebidas, Kennedy disse que "decisões sobre comercialização serão tomadas mais tarde, mas esse foi o jeito certo de começar".

Financial Times

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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