Descrição de chapéu The Washington Post

Amazon remove tapetes para banheiro e itens com versículos do Corão

Para associação, palavras do livro sagrado seriam 'pisadas' e 'desrespeitadas'

Washington

Depois de receber queixas de que comerciantes estavam vendendo produtos ofensivos aos muçulmanos na internet, entre os quais capachos, pisos para chuveiro e outros itens contendo versículos do Corão, a Amazon removeu dezenas desses produtos de seu mercado online.

Os produtos foram denunciados inicialmente ao grupo de varejo online pelo Council on American-Islamic Relations (CAIR), uma organização que promove causas associadas ao islamismo.

O CAIR anunciou ter recebido queixas sobre os produtos de membros da comunidade islâmica, o que o levou a alertar a Amazon. Em um release divulgado esta semana, a organização disse que os produtos eram ofensivos aos muçulmanos porque as palavras do livro sagrado e outras referências islâmicas "seriam pisadas, ou desrespeitadas de outras maneiras, pelos compradores".

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Conjunto de tapetes para banheiro com arte islâmica - Reprodução Amazon.com/The Independent

A Amazon começou a remover os produtos assim que o CAIR registrou sua queixa.

"Todos os vendedores precisam seguir nossas diretrizes de venda, e aqueles que não fazem ficam sujeitos a medidas que incluem o possível cancelamento de suas contas", afirmou a Amazon em comunicado encaminhado ao The Washington Post na terça-feira. "Os produtos em questão estão sendo removidos de nossa loja".

(O fundador e presidente-executivo da Amazon, Jeff Bezos, é dono do The Washington Post.)

O CAIR continua a encaminhar à Amazon listas de produtos ofensivos, de acordo com seu porta-voz Ibrahim Hooper, que disse que a empresa foi rápida e cortês em sua resposta e que continua a auditar seus produtos em oferta em busca de casos semelhantes.

Os itens em questão têm frases em caligrafia islâmica que incluem referências ao profeta Maomé e versos do livro santo do islamismo. Outro item que o CAIR identificou recentemente foi uma tampa de vaso sanitário mostrando arte islâmica do palácio de Al Hambra, na Espanha, que faz parte da lista de patrimônio cultural da humanidade compilada pela Unesco.

Hooper disse que os muçulmanos são especialmente sensíveis a que o Corão e textos islâmicos sejam pisados. Mas ele disse que objeções a esse tipo de produto se aplicam também a outras religiões. "Seria ofensivo para qualquer um que um texto religioso esteja impresso em um tapete usado no banheiro, ou na tampa de um vaso sanitário", ele disse. "Se fosse uma bíblia ou uma imagem da bíblia no vaso sanitário, objetaríamos a isso da mesma maneira".

Hooper acrescentou que, para a maioria dos produtos contendo material ofensivo, a ofensa provavelmente não e intencional, e resulta de esforços dos fabricantes para produzir material com designs diferentes.

A rede de notícias CNN havia noticiado anteriormente a remoção de produtos.

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Tapetes com escritos em árabe - Reprodução Amazon.com/CNN

A Amazon opera um mercado mundial do qual participam muitos comerciantes terceirizados, e já teve de enfrentar casos envolvendo a venda de produtos ofensivos. No ano passado, organizações de vigilância constataram que havia produtos com símbolos da supremacia branca, incluindo bijuteria com a imagem da suástica e uma mochila infantil com um meme neonazista, à disposição dos compradores da Amazon, ainda que a empresa restrinja a venda de produtos que promovem o ódio.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

The Washington Post
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