Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Com Bolsonaro, almirante vai presidir conselho de administração da Petrobras

Escolhidos preenchem vagas abertas após renúncia de 3 indicados por Michel Temer

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A Petrobras informou nesta segunda (14) que o governo Jair Bolsonaro indicou três nomes para compor o conselho de administração da estatal, conseguindo renovar parte do colegiado antes mesmo do fim dos mandatos do grupo nomeado por Michel Temer em 2018.

Um dos nomeados por Bolsonaro é o ex-comandante da Marinha, o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que será indicado para presidir o colegiado. Desde 2015 não havia militares no conselho da Petrobras.

Segundo a estatal, o último militar a presidir o conselho de administração da companhia foi o general de brigada Araken de Oliveira, entre 1974 e 1979.

As mudanças anunciadas no comando da estatal são possíveis pela renúncia de três dos conselheiros indicados por Temer, cujos mandatos venceriam apenas em 2020. Segundo o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, a renovação representa uma "nova era" na gestão da estatal.

Além do almirante Leal Ferreira, foram indicados nesta segunda o geólogo John Forman e o economista João Cox. Antes, Bolsonaro já havia indicado para o colegiado o atual presidente da empresa.

Controladora da empresa, a União tem direito a indicar oito dos onze membros do conselho —​os outros três são indicados por acionistas minoritários e empregados da companhia. Se conseguir eleger os nomes anunciados nesta segunda, Bolsonaro terá nomeado metade das vagas da União.

"Foi um ciclo que se encerrou. Uma nova era se inicia com visão estratégica de longo prazo e objetivo de geração de valor para os acionistas e para o Brasil. As modificações na administração da Petrobras refletem a nova orientação", afirmou, em comunicado, o presidente da estatal.

Desde o período de transição, o governo vem pressionando conselheiros a renunciar, com o objetivo de conseguir renovar parte do colegiado antes do fim dos mandatos, em 2020. 

O ex-presidente do conselho, Luiz Nelson Guedes Carvalho, e o advogado Francisco Petros renunciaram no início do ano. Nesta segunda, Durval Soledade informou à companhia que também abre mão do cargo - ele permanecerá como membro do Comitê de Minoritários e do Comitê de Auditoria Estatutária da empresa. 

O governo estaria pressionando ainda pela renúncia do engenheiro naval Segen Estefen, nomeado ainda por Dilma, em 2015.

Leal Ferreira é o primeiro militar a ter assento no conselho desde o general Francisco de Albuquerque, que representava o Exército nos governos petistas. Em 2015, em meio à fase mais dura da crise da companhia, Dilma renovou o colegiado colocando apenas executivos reconhecidos pelo mercado no lugar de pessoas ligadas ao governo.

Forman é um consultor reconhecido no setor de petróleo, com carreira acadêmica na UFRJ e passagem pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) durante o governo Lula. Cox é economista e tem experiência em conselhos de administração. Atualmente, preside o conselho da TIM.

Em nota, a Petrobras disse que as indicações serão submetidas aos procedimentos de governança da companhia, incluindo análises de integridade dos nomeados. Depois, serão levadas a assembleia geral de acionistas.

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