Nissan expande investigação de Ghosn e inclui Brasil, diz agência

Montadora também estaria investigando decisões do executivo nos Estados Unidos e Índia

Pequim

A Nissan ampliou a investigação sobre o ex-presidente Carlos Ghosn para incluir negócios no Brasil, nos Estados Unidos e na Índia, disseram pessoas com conhecimento do assunto à agência de notícias Reuters.

No Brasil, a investigação avalia o que parecem ser pagamentos excessivos para os serviços de guarda-costas de Ghosn, segundo pessoas próximas a montadora japonesa ouvidas pela Reuters.

O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, não respondeu aos pedidos de comentários. Um representante do executivo nos EUA também se recusou a comentar.

Os negócios de Ghosn nos EUA foram compartilhados com procuradores japoneses. Os promotores de Tóquio se recusaram a comentar.

A Nissan informou que sua investigação interna descobriu"evidência substancial e convincente de má conduta" por Ghosn e que seu escopo está se expandindo.

Investigadores da Nissan estão examinando outras decisões de revendedores em vários países onde Ghosn atuou para ver se houve algum desvio de conduta.

Em particular, a montadora analisa o papel da Ghosn no que descreve como decisão surpresa em 2008, quando escolheu a Hover Automotive Índia (HAI) como parceira da Nissan para marketing, vendas, pós-venda e desenvolvimento de revendedores na Índia.

Uma empresa diferente, a TVS já teria sido escolhida pela gerência da Nissan, quando Ghosn interveio pessoalmente para pressionar a HAI, segundo afirmaram membros da Nissan.

Eles acrescentam que, em 2012, a HAI tornou-se a firma nacional de vendas exclusiva da Nissan na Índia, apesar de ser relativamente inexperiente na distribuição de veículos aos revendedores.

A Reuters não conseguiu encontrar um representante da HAI, que, segundo o registro de empresas da Índia, foi dissolvida em setembro de 2018. A TVS não respondeu a um pedido de comentário.

Uma fonte também disse que a Nissan está conduzindo auditorias de alguns parceiros de distribuição no Oriente Médio, incluindo a Al-Dahana, da Arábia Saudita, que possui metade de uma joint venture chamada Nissan Gulf, com a outra metade ocupada por uma unidade integral da Nissan.

SUCESSOR

Parte da investigação interna se concentra em decisões tomadas nos EUA por José Munoz, que liderou as operações da Nissan na América do Norte de 2014 a 2018. De acordo com a Nissan, Munoz está em licença devido à investigação.

A Nissan disse que Munoz, visto dentro da indústria como próximo de Ghosn, estava de licença "para permitir que ele ajude a empresa concentrando-se em tarefas especiais decorrentes de eventos recentes."    
Segundo apuração de Reuters, Munoz não estaria cooperando com os investigadores.

Munoz, que dirige as operações da Nissan na China, teria interesse na investigação e poderia ser acusado de algum delito, segundo pessoas ouvidas pela Reuters. Munoz não respondeu à reportagem.

Algumas das questões colocadas a Munoz dizem respeito a contratos com fornecedores de peças e prestadores de serviços aprovados quando ele estava no comando das operações da Nissan nos EUA.

O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, disse não ter conhecimento sobre o assunto.

Preso desde o dia 19 de novembro, Ghosn, que ficou conhecido por ser o  âncora da aliança entre Nissan e Renault, foi  acusado de esconder parte de sua renda do fisco japonês para pagar menos impostos.

Na última sexta, ele também foi acusado de violação de confiança, por ter transferido perdas de investimento pessoal no valor de 1,85 bilhão de ienes (US$ 17 milhões) para a Nissan.    

Em sua primeira aparição pública desde sua prisão em 19 de novembro, Ghosn declarou inocência em tribunal na terça-feira, dizendo que nunca recebeu uma compensação não divulgada e que a Nissan não sofreu nenhuma perda devido a uma transferência temporária de um contrato pessoal de câmbio.    

A transferência tinha sido uma medida temporária para impedi-lo de ter que renunciar e usar seus fundos de aposentadoria como garantia, disse Ghosn.

É improvável que Ghosn receba fiança e o executivo deve seguir detido até o julgamento, como costuma acontecer no sistema criminal do Japão, disse Otsuru nesta semana. O julgamento de Ghosn pode não começar antes de seis meses, afrimou.

Reuters
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