Atividade econômica cai 0,41% em janeiro, aponta índice do BC

Mercado reduz para 2,01% as projeções para o crescimento do PIB neste ano

Paulo Muzzolon
São Paulo

A economia brasileira iniciou o ano em queda,  em um mês marcado principalmente por perdas na indústria que reforçam a percepção de fraqueza do crescimento no início de 2019.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,41% no mês, na comparação com dezembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (18).

O resultado foi bem pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters, que apontava para queda de 0,10%, na mediana das projeções.

Na comparação com janeiro de 2018, o IBC-Br cresceu 0,79%.

"Esse resultado e outros indicadores divulgados anteriormente sugerem uma recuperação mais gradual da atividade econômica do que o previsto inicialmente", afirmou o banco Bradesco em relatório.

Índices divulgados pelo IBGE na última semana já mostravam que a atividade econômica não começou bem.

Na indústria, a queda foi de 0,8%, no resultado mais fraco em quatro meses, segundo o levantamento do IBGE.

Os serviços, na mesma base de comparação, caíram 0,3%, contrariando expectativas de alta no mês. Apenas o setor varejista, ainda de acordo com o IBGE, foi bem em janeiro, com alta de 0,4% sobre dezembro.

Com a atividade econômica ainda fraca, os economistas já estão reduzindo suas projeções para o crescimento do país neste ano.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central desta segunda, a previsão para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2019 sofreu forte queda, passando de 2,28% no levantamento da semana passada para 2,01%.

Reportagem da Folha deste sábado (16) mostra que o que era o piso das projeções de meses atrás para o crescimento deste ano parece ter se tornado o teto.

Conhecidos os indicadores do primeiro mês do governo Bolsonaro, o temor de especialistas é que a alta esperada para o PIB deste ano volte a decepcionar.

No geral, os indicadores seguem em marcha lenta influenciados por um quadro que combina mais de 12 milhões de desempregados, queda de 15% nas concessões de crédito em janeiro e novos recuos em indicadores de confiança.

Esse quadro está fazendo o mercado rever suas projeções para a Selic, a taxa básica de juros. o Focus mostra que as previsões para 2020 agora são de 7,75%, contra 8% na pesquisa anterior.

Para este ano as projeções seguem em 6,5%.

Os analistas também esperam uma expansão menor da indústria em 2019. As expectativas passaram de 2,8% para 2,57%.

A previsão para o crescimento econômico do ano também foi reduzida, de 3% para 2,8%.

Com Reuters

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