Empresários do Amazonas recebem Mourão com grande entusiasmo

Em encontro na federação das indústrias do estado, vice-presidente recebe elogios e aplausos

Manaus

Em ambiente semelhante ao que encontrou na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), três dias antes, o vice-presidente Hamilton Mourão foi recebido com entusiasmo nesta sexta-feira (29) por empresários amazonenses.

Diante de um auditório lotado na sede da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Mourão falou da importância da reforma da Previdência e assegurou que o governo Bolsonaro defende o modelo de incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, segundo relatos. 

O acesso à imprensa ao evento foi vetado.

A reportagem obteve o áudio dos minutos finais, quando Mourão respondeu a perguntas de empresários. 

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O vice-presidente Hamilton Mourão, que durante visita a Manaus falou à imprensa sem permitir perguntas" - Adnilton Farias/VPR

Ele defendeu projetos econômicos, como a exploração do potássio, e obras de infraestrutura, incluindo a controvertida pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho e atravessa uma área preservada de floresta. 

Instado a deixar uma "mensagem de otimismo", o general reformado disse que "o governo do presidente Bolsonaro é uma democracia liberal. Ela está vivendo uma crise no mundo inteiro. Há sempre um atrativo para que regimes de força dominem. Pessoal olha pra China, mas a China é uma coisa muito peculiar".

Mourão disse que a democracia liberal enfrentou e venceu o imperialismo, na Primeira Guerra Mundial, o nazifascismo, na Segunda Guerra Mundial, e o comunismo, ao longo do século 20. "E vai vencer agora, essa é a nova mensagem", afirmou, arrancando aplausos dos presentes. 

"Vamos acreditar no nosso sistema democrático e no nosso liberalismo no seu melhor sentido: de direito à propriedade, de o Estado não ficar pendurado em cima da gente, de nós termos liberdade para empreender, e que o Estado zele pela nossa segurança e pela nossa defesa", afirmou. 

A assessoria de Mourão informou que o teor da palestra seria disponibilizado logo após a cerimônia, encerrada por volta das 12h20 locais (uma hora a menos do que Brasília), o que não ocorreu. 

Estava marcada uma entrevista coletiva, que se transformou em discurso, no qual Mourão defendeu a reforma da Previdência, e falou contra a corrupção. Não houve espaço para perguntas. 

"O sistema [previdenciário] que temos não vai parar em pé. Ele vira uma pirâmide financeira, em que os mais velhos, como eu, irão receber, e os mais jovens, como vocês, vão ter de trabalhar até o último dia da vida. Tínhamos um contrato social estabelecido que não cabe mais no Orçamento. Temos de renegociar esse contrato", disse aos jornalistas. 

Os empresários fizeram uma recepção amistosa a Mourão, com homenagens e elogios. Na antessala, uma rodinha mais entusiasmada brincava dizendo que iriam ouvir o presidente. "Falta ao governo uma melhor interlocução junto ao Parlamento, e eu vejo na figura do vice-presidente, um viés de solução para essa lacuna", disse à Folha o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco. 

"Tudo o que ele nos trouxe como informação soa com muito bom senso, equilíbrio e maturidade que um chefe de Estado precisa ter. Isso nos dá muita alegria."

Quando lhe foi perguntado se há decepção com Bolsonaro, ele disse que não, mas destacou que ausência de entendimento é questionável. 

"As ideias de Paulo Guedes, por exemplo, são excelentes. A forma de implementá-las, porém, está sendo equivocada. Isso não pode ser empurrada goela abaixo do Parlamento. Tem de ter diálogo, respeito à democracia. O Mourão é um grande 'asset' [patrimônio] neste momento, que pode resolver essa lacuna, sim", disse.

Na visita a Manaus, o general, cuja família paterna é de Humaitá (AM), também foi homenageado com a medalha Grandes Amazônidas, concedida pela Associação Panamazônia, formada principalmente por empresários. Segundo relatos de presentes, ele se emocionou e chorou ao receber o prêmio.

Foi a primeira vez que medalha, instituída há nove anos, foi concedida a personalidade em exercício de cargo público.

"O general Mourão e o grupo político ao qual pertence, do presidente Bolsonaro, representa uma mudança necessária para o país", disse o diretor da entidade, Belisário Arce, que cometeu o equívoco de chamou Mourão de presidente.

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