Suíça Zurich vence leilão de aeroportos em Vitória e Macaé

Proposta vencedora para bloco que recebeu quatro ofertas foi de R$ 437 milhões

Taís Hirata Joana Cunha
São Paulo

A companhia suíça Zurich venceu o leilão dos aeroportos de Vitória (ES) e Macaé (RJ), com uma proposta de R$ 437 milhões, que serão pagos à União na assinatura do contrato. O lance mínimo era de R$ 47 milhões. 

O bloco de aeroportos no Sudeste recebeu quatro ofertas. Além da vencedora Zurich, participaram da concorrência a ADP do Brasil, a CCR e a alemã Fraport. 

O leilão, realizado nesta sexta-feira (15), em São Paulo, ofertou outros dois blocos de aeroportos: um na região Nordeste e outro no Centro-Oeste. 

Ao todo, foram contratados R$ 3,5 bilhões em investimentos pelos próximos 30 anos. 

No caso dos dois aeroportos do Sudeste, o investimento previsto será de R$ 591,7 milhões. 

Ambos receberam recentemente investimentos em ampliação, mas operam com grande ociosidade.

Em Macaé, reformas no terminal de passageiros e na pista foram inauguradas na terça-feira (12). As obras na capital capixaba foram inauguradas em 2018.

 Com capacidade para 8,4 milhões de passageiros por ano, o aeroporto de Vitória movimentou 3 milhões de passageiros em 2018, segundo dados da Infraero.

Vista do aeroporto de Macaé (RJ)
Aeroporto de Macaé (RJ) leiloado nesta sexta-feira (15) - Divulgação/Infraero

Para o governo estadual, porém, a privatização pode ampliar o número de voos.

“Esperamos não só a internacionalização do aeroporto, como a abertura de novas rotas, como por exemplo, para o interior do Espírito Santo e de Minas Gerais”, diz o secretário estadual de Transportes, Fábio Damasceno.

Ele aposta também em atrair conexões para cidades da região Nordeste.

Em 2018, a Infraero inaugurou a segunda pista, mais longa do que a original, e ampliação do terminal de passageiros, com a instalação de seis fingers —antes, o embarque era feito pela pista.

A estatal gastou cerca de R$ 600 milhões nas obras.

O edital de licitação prevê investimentos adicionais de R$ 300 milhões. Damasceno diz que a área tem potencial para atrair hotéis e centros de convenções, além de novas lojas nos terminais.

Em Macaé, também houve ampliação do terminal e a pista recebeu melhorias, com investimento de R$ 64 milhões. 

A prefeitura da cidade, que é base de operações da Petrobras, espera a retomada dos voos comerciais, encerrados apos a crise financeira da estatal.

O modelo de privatização proposto pelo governo enfrentou resistência do governo do Espírito Santo, que chegou a pedir na Justiça a suspensão do leilão em conjunto com Macaé.

O governo capixaba alegava que a venda em bloco poderia trazer prejuízo ao estado, com possibilidade de aumento das tarifas do aeroporto de Vitória para compensar custos em Macaé.

No fim de janeiro, quase um mês após sua posse, o governador Renato Casagrande (PSB), retirou a ação judicial. Damasceno diz que o recuo foi decidido apos acordo com o governo federal para incentivar o uso regional dos aeroportos de Linhares e Cachoeiro do Itapemirim.

A Zurich, que também assumiu o aeroporto do aeroporto internacional de Florianópolis na última rodada de concessões de 2017 e é sócia no de Confins (MG), voltou a manifestar interesse pelo Viracopos, em Campinas, que está em recuperação judicial. 

"O aeroporto de Viracopos nos interessa, mas sua estrutura financeira está completamente arruinada. Isso precisa ser resolvido e envolve um esforço de todas as partes, o que deixa o processo complicado e leva tempo", disse Stefan Conrad, presidente da operação da companhia na América Latina.

Uma vez resolvidos os problemas de Viracopos, que também tem um processo de caducidade na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a Zurich "estaria muito bem preparada para investir", disse Conrad em entrevista coletiva realizada após o leilão.   

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