Bloco Sudeste tem aeroportos renovados mas com capacidade ociosa

Vencedor de leilão nesta sexta levará terminais de Macaé (RJ) e Vitória (ES)

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O vencedor do bloco Sudeste do leilão desta sexta (15) levará dois aeroportos que receberam recentemente investimentos em ampliação, mas que operam com grande ociosidade.

A concorrência será dividida em três blocos: SudesteCentro-Oeste e Nordeste

Em Macaé, no norte do Rio, por exemplo, não há voos comerciais desde 2015 —há, porém, grande movimento de helicópteros da Petrobras.

O bloco inclui os aeroportos de Macaé e Vitória, capital do Espírito Santo. Os dois foram alvo de melhorias nos últimos anos. Em Macaé, reformas no terminal de passageiros e na pista foram inauguradas nesta terça (12). As obras na capital capixaba foram inauguradas em 2018.

Nos dois casos, há hoje grande capacidade ociosa. Com capacidade para 8,4 milhões de passageiros por ano, o aeroporto de Vitória movimentou 3 milhões de passageiros em 2018, segundo dados da Infraero.

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Aeroporto de Macaé, no Rio - Divulgação/Infraero

Para o governo estadual, porém, a privatização pode ampliar o número de voos.

"Esperamos não só a internacionalização do aeroporto, como a abertura de novas rotas, como por exemplo, para o interior do Espírito Santo e de Minas Gerais", diz o secretário estadual de Transportes, Fábio Damasceno. Ele aposta também em atrair conexões para cidades da região Nordeste.

Em 2018, a Infraero inaugurou a segunda pista, mais longa do que a original, e ampliação do terminal de passageiros, com a instalação de seis fingers —antes, o embarque era feito pela pista. A estatal gastou cerca de R$ 600 milhões nas obras.

O edital de licitação prevê investimentos adicionais de R$ 300 milhões. Damasceno diz que a área tem potencial para atrair hotéis e centros de convenções, além de novas lojas nos terminais.

Em Macaé, também houve ampliação do terminal e a pista recebeu melhorias, com investimento de R$ 64 milhões milhões. A prefeitura da cidade, que é base de operações da Petrobras, espera a retomada dos voos comerciais, encerrados apos a crise financeira da estatal.

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Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória, Espírito Santo - Divulgação/Infraero

Macaé tinha voos comerciais apenas para o Rio, que movimentaram 25,6 mil passageiros em 2015. Com a ampliação, sua capacidade foi elevada para até 2,1 milhões de passageiros, dez vezes maior do que a anterior.

O número de passageiros em voos comerciais, porém, não reflete a realidade operacional do aeroporto, que é o principal ponto de partida de trabalhadores das plataformas petrolíferas da Bacia de Campos, uma das principais províncias produtoras do país.

As operações da Petrobras se assemelham a um aeroporto comercial, com guichês das companhias prestadoras de serviço de transporte e chamadas para embarque nos voos com destino a plataformas. São cerca de 120 voos diários, segundo o Decea (Departamento de Controle do Tráfego Aéreo).

JUSTIÇA

O modelo de privatização proposto pelo governo enfrentou resistência do governo do Espírito Santo, que chegou a pedir na Justiça a suspensão do leilão em conjunto com Macaé.

O governo capixaba alegava que a venda em bloco poderia trazer prejuízo ao estado, com possibilidade de aumento das tarifas do aeroporto de Vitória para compensar custos em Macaé.

No fim de janeiro, quase um mês após sua posse, o governador Renato Casagrande (PSB), retirou a ação judicial. Damasceno diz que o recuo foi decidido apos acordo com o governo federal para incentivar o uso regional dos aeroportos de Linhares, no norte do estado, e Cachoeiro do Itapemirim, no sul.

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