Caminhoneiros se dividem entre nova greve e ações com o governo

Após alta do diesel, motoristas se articulam para iniciar nova greve no dia 29 de abril

Heloísa Negrão
São Paulo

Os caminhoneiros estão divididos.

De um lado, um grupo sob a liderança de Wanderlei Alves, o Dedéco, afirma que haverá nova paralisação e já afirma que as manifestações devem começar no dia 29 de abril.

Do outro, liderados por Wallace Landim, o Chorão, há os motoristas que estão negociando com o governo.

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Imagem distribuída nos grupos de caminhoneiros - Reprodução

Após o anúncio nesta terça-feira (17) do aumento de R$ 0,10 no litro do diesel nas refinarias da Petrobras, Alves afirmou que haverá uma paralisação no próximo dia 29.

Ele conta que o impacto do aumento sobre o combustível é muito pesado para os caminhoneiros. Por mês, ele diz gastar 9 mil litros de diesel. Se o repasse da Petrobras chegar diretamente às bombas dos postos de combustíveis, o gasto mensal do caminhoneiro deve subir R$ 900.

 
O preço de refinaria corresponde a 54% do valor final de venda do diesel. Assim, o repasse deve ficar, em média, entre R$ 0,05 e R$ 0,06.
 
A reportagem ouviu representantes de caminhoneiros de outros estados e eles afirmaram que ainda estão conversando com motoristas para saber se vão aderir ou não à paralisação.

Também na noite desta terça, Landim se reuniu com os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura)
 e Tereza Cristina (Agricultura) para negociar novas medidas para o setor.

“Viemos aqui buscar trabalho e estamos saindo daqui confiante de que isso vai acontecer”, afirmou Landim em vídeo publicado em sua página no Facebook, no qual aparece sentado com os ministros e outros caminhoneiros.

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(no sentido anti-horário) Tarcísio de Freitas, Tereza Cristina, Wallace Landim e outros representantes dos caminhoneiros - Reprodução

No mesmo vídeo, Tereza Cristina diz que vai “rever o problema com a Conab [Companhia Nacional
 de Abastecimento] para que vocês possam transportar produtos que a Conab adquire lá em Mato Grosso, Goiás”.

Após a paralisação em 2018, o governo de Michel Temer (MDB) prometeu que privilegiaria caminhoneiros autônomos nos contratos de frete da Conab.

Para Alves, o vídeo de Landim colocou mais fogo nos grupos de caminhoneiros do WhatsApp (principal
meio de articulação das manifestações do ano passado).

“Conab é só grão e o resto [das mercadorias] do país”, disse à Folha.

Alves diz que não representa toda a classe. "Eu tenho os caminhoneiros que estão comigo. E faço parte de um grupo com outras lideranças. Isso faz uma rede de mais de um milhão de caminhoneiros."

Com Landim, estavam representantes dos caminhoneiros do porto de Santos, Paraná, São Paulo e Goiás.

Sobre a alta do diesel, Landim afirmou à reportagem que a questão deve ser resolvida com o gatilho que existe na lei do piso mínimo.

No vídeo, o ministro Tarcísio de Freitas disse que  "o piso vai fazer com que o diesel deixe de ser uma preocupação. Aumentou o diesel, a gente aumenta o piso. A gente vai transplantar o aumento do diesel para a tabela. Isso vai fazer com que o caminhoneiro não perca dinheiro com os transportes".

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